MULHER –

No dia Internacional da Mulher, homenageei muitas de minhas heroínas preferidas. As samaritanas, as publicanas, as virtuais e as exemplares. Dediquei carinho especial, também, àquelas que me despertam a nostalgia da juventude pela paixão da maturidade. Relembrei minha mãe que se foi conduzindo 103 anos de amor e fidelidade à vida. Retomo a sua serenidade que exalava benção de Deus. Ele lhe permitiu a graça da longevidade tão singular no mundo de hoje: a ultrapassagem do século. Ademais, a doce convivência com os filhos e a fidelidade telúrica repetida na pergunta: “Meu filho, onde estamos?”. “Em Macaíba, mamãe”. E a resposta jaculatória: “Nossa terra, meu filho, nossa terra”.

Percebo que, de todas as façanhas e conquistas da mulher ao longo do tempo, a virtude e a predestinação bíblica de ser mãe ainda se mantém como o maior de todos os seus milagres, de superação, de sublimação e de superioridade sobre os homens. Só a mulher é dado conhecer o instante mortal: a vaidade, a beleza, o verdadeiro e o vão na partilha do leito, do pão e da razão. Ela tem o sentido universal de todos os valores humanos e o instinto natural de todas as feras. A mulher é a única capaz do milagre da transfiguração pelo amor e pela ação biológica unitária: começo, meio e fim. Ela toma um pouco daqui e um pouco dacolá e constrói o seu próprio mundo. Não existe essa de inferioridade com relação ao homem. A disparidade dessas variações ao longo do tempo, continua sendo corrigida através dos avanços e da conscientização do papel a desempenhar no mundo tecnológico sem jamais perder a ternura.

São raríssimas as profissões que a mulher não exerce hoje. Apenas o conflito existencial com o homem carregando tédios e vastas solidões ainda persiste quando dita como destino a tentação e a carne. Ao homem é preciso e decretado recriar o amor. Como no verso do poeta “o homem conduz sempre à noite e os seus violões mas na mesa posta é o convidado ausente”. Perdeu o romantismo. Na esquina dos desencontros e das contradições o homem só sabe a lógica das máquinas e esquece as damas do alvorecer.

O Dia Internacional da Mulher é todo o dia. Porque é mãe, é filha, é avó, é irmã, é esposa, é companheira, é água potável de sempre.

 

 

 

Valério Mesquita – Escrito, Mesquita.valerio@gmail.com

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