MOEDAS DA FONTANA DI TREVI –

A Igreja Católica e a Prefeitura de Roma estão travando disputa pelas moedas jogadas por turistas na Fontana di Trevi, um dos mais famosos pontos da cidade, que serviu de cenário para o filme “A Fonte dos Desejos”, presente no imaginário dos mais sexagenários e septuagenário. Isto porque chega a quase 2 milhões de euros por ano o valor daquelas moedas retiradas da água onde são jogadas num ritual de costas e acompanhadas de pedidos.

Se até agora elas são doadas à Igreja Católica para distribuição em suas obras e atividades assistenciais, a Prefeita quer que aquele valor fique em poder da administração para ser aplicada em obras e serviços de infraestrutura. Mas a população local – que não integra a massa de turistas que jogam as moedas – tem se manifestado em favor da Igreja Católica, que, por sua vez, tem grande fonte de renda com os turistas que visitam a Cidade do Vaticano, para o que desembolsam taxas de considerável valor e onde adquirem souvenir com motivação religiosa.

Antes que seja reeditado o questionamento bíblico da justiça de pagamento de tributo a César ou ao Império Romano, talvez esteja clara, não diante das leis romanas mas da realidade dos fatos, a solução. Posto que, se a Fontana di Trevi está situada no território romano e não no território do Estado do Vaticano, mais justo parece ser que o valor das moedas recolhidas seja compreendido como receita pública da Cidade de Roma e, como tal, tenha sua aplicação vinculada às obras e aos serviços de infraestrutura, como deseja a Prefeita.

Até porque quem já esteve na Fontana di Trevi, a qualquer hora, se deparou com um aglomerado de pessoas e de automóveis de transporte coletivo que necessitam de disciplinamento de espaço e de circulação para atender o movimento. Ademais do que a própria construção tricentenária, integrante do patrimônio histórico e cultural, necessita de constante manutenção, não apenas para manter suas características originais como para torná-la cada vez mais atrativa a turistas, dotando-a de condições para a visitação pública.

 

 

Alcimar de Almeida Silva, Advogado, Economista, Consultor Fiscal e Tributário

Ponto de Vista

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