| Sergio Lima/Alan Marques/Folhapress | ||
| Os ministros do STF Joaquim Barbosa (à esq.) e Ricardo Lewandowski |
O ministro Ricardo Lewandowki, revisor do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), diz que está “perplexo e estupefato” com o “lamentável” ocorrido no plenário durante sessão desta quinta-feira (2), dia em que o processo começou a ser julgado. A declaração, literal, foi transmitida à Folha por sua assessoria.
Lewandowski refere-se ao fato de Joaquim Barbosa, relator do caso, tê-lo criticado enquanto votava favoravelmente a tese de que o processo deveria ser desmembrado.
A questão foi levantada pelo advogado Márcio Thomas Bastos, que defende um ex-diretor do Banco Rural. Ele questionou a legitimidade do Supremo para julgar o caso, já que o processo mistura réus com foro privilegiado – que só podem ser julgados pelo STF – com réus comuns, que têm direito a ser julgado na Justiça comum.
Joaquim Barbosa votou contra a proposta do advogado. Em seguida, o presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto, questionou qual seria o voto de Lewandowski. Quando o ministro começou a proferir o voto, Barbosa afirmou que ele estava sendo “desleal” ao trazer novamente a questão ao tribunal.
“Como se o país inteiro não tivesse visto que quem levantou a questão foi o advogado de defesa e que Lewandowski apenas exercia o seu legítimo direito de votar”, disse à Folhaum interlocutor direto do ministro.
Nove dos onze ministros votaram contra a questão de Thomaz Bastos, contra dois a favor — além de Lewandowski, Marco Aurélio de Mello–, negando o desmembramento da ação e mantendo o julgamento dos 38 réus no Supremo.
Após a sessão, Joaquim Barbosa contestou o colega. “Quem ficou estupefato fui eu. Nas três vezes em que levei essa mesma questão de ordem ao plenário, o ministro Lewandowski se manifestou contrário ao desmembramento. Na condição de revisor do processo e sabendo que eu já havia indeferido o desmembramento como relator, para ele teria que ser um gesto de lealdade me avisar que estava revendo o seu posicionamento.
Se tivesse feito isso eu teria levado o problema ao plenário há três meses e não agora, como surpresa, no dia do julgamento, como manobra para tirar o STF do caso”
Fonte: Folha.com
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