O Ministério do Meio Ambiente demitiu duas autoridades de alto escalão que atuavam no combate às mudanças climáticas, deixando os postos vagos em um momento no qual o país está sob os holofotes por causa dos gases de efeito estufa liberados pela devastação da Floresta Amazônica.
As demissões do diretor encarregado do combate à mudança climática e de seu vice foram anunciadas no Diário Oficial da União na quarta-feira (26).
O ministério disse à Reuters em um comunicado que “as substituições na Secretaria de Relações Internacionais visam dar nova dinâmica para a agenda de adaptação às mudanças climáticas da pasta”, sem dar detalhes. Quando indagado se os novos ocupantes dos cargos já foram anunciados, o porta-voz respondeu: “Ainda não. Serão anunciados oportunamente”.
O governo do presidente Jair Bolsonaro já havia reduzido a ênfase na mudança climática dentro do ministério, transformando um cargo de nível de secretário para a mudança climática em uma diretoria.
Bolsonaro também nomeou autoridades graduadas que questionam a ciência por trás da mudança climática. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a classificou como uma conspiração marxista, e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse não ter certeza de que o aquecimento global é causado pelo homem.
“É chocante, mas nada surpreendente”, disse Claudio Angelo, porta-voz do Observatório do Clima. “Não existe política climática federal sendo formulada ou implementada no Brasil de Bolsonaro, o que nos diz muito sobre o quão seriamente este governo encara o Acordo de Paris.”
As demissões ocorrem após uma cúpula sobre a mudança climática na Organização das Nações Unidas (ONU) em dezembro que foi tensa para a delegação brasileira.
Fontes disseram à Reuters que Salles deixou negociadores climáticos de alto escalão no escuro a respeito das metas do governo nas conversas e descreveu desavenças internas entre autoridades da pasta do Meio Ambiente e do Itamaraty.
Líderes estrangeiros e ambientalistas criticaram as diretrizes do governo Bolsonaro no ano passado, quando o desmatamento e os incêndios na Floresta Amazônica aumentaram, argumentando que a retórica do presidente estimulou madeireiros, fazendeiros e grileiros.
Fonte: G1
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