MEU BATISMO LITERÁRIO – Flávia Arruda

MEU BATISMO LITERÁRIO –

Tudo começou com um convite enviado por uma amiga virtual, pelo facebook, que dizia assim: “Um café. Ou vários. Livros. Amigos. Esta é a proposta do nosso Café&Poesia. Esperamos vocês”.

Data: 11/04/2015

Hora: A partir das 10h

Local Delícia Café

Endereço: Rua Idalino de Oliveira, 157

No sábado pela manhã, dia do referido convite para o encontro mensal dos poetas e escritores da nossa cidade, fiz contato com dois amigos escritores, Mário Gerson, o Tom Cruiser no sertão nordestino, escritor premiado, roqueiro de plantão e meu padrinho literário e Zilma- colega de trabalho e poetisa de mão cheia. Marquei com Zilma de ir apanhá-la, em sua residência, às 09h50min, para irmos juntas.

Saí meia hora antes do horário marcado. Busquei minha filha no colégio, para acompanhar-me no evento. Fomos, primeiro, ao centro da cidade, comprar um presente para minha amiga virtual Ângela Rodrigues Gurgel – a lady das poetisas, como é carinhosamente chamada pelos colegas das letras. Afinal, quem não gosta de um mimo, não é mesmo?

Ao chegarmos ao Delícia Café, Ângela veio ao nosso encontro para nos receber, como fazem os verdadeiros anfitriões. Cumprimentamo-nos e nos apresentamos. Entre abraços e frases delicadas, entreguei-lhe meu mimo como simbologia da minha satisfação em conhecê-la pessoalmente. O ambiente já estava recheado de gente bacana, cheio de escritores de alto nível, só a nata – e eu lá de metida. Logo vi Clauder Arcanjo, Padre Guimarães, Dulce Cavalcante, Francisco Rodrigues (hoje já morando no andar de cima) e mais um bocado de gente que até então eu não conhecia. Saudamos os presentes e nos acomodamos próximos ao demais. Logo começaram a declamações. Cada um levantava-se entre prosas e graças, recitava poesias, crônicas, pensamentos… Tudo nos estimulava e nos deleitava ao passo que mudavam as vozes e apreciávamos cada palavra proferida, cada eloquente recitador.

Aos poucos foi chegando mais gente bacana, como o Jornalista, historiador, poeta e descobridor de escritores, Raimundo Antônio (o maior culpado por eu acreditar que dou para o gasto nas letras). Mário Gerson, meu padrinho roqueiro, chegou logo em seguida, já me presenteou com um livro – olhem aí a lei do retorno: faça um mimo que receberás um mimo. Mais um pouco e eu tive a honra de conhecer Fátima Feitosa, que, como ela mesma se intitula, a desvairava de nascença.

O time estava completo. Entre apresentações e declamações, eis que surge o inusitado, um carro de som, com o som às alturas, diga-se de passagem, parou à porta do Delícia Café – é mole ou que mais? Divulgando a festa dos alunos concluintes de um colégio da cidade. Juro que tentamos vencer o importuno Rei da cacimbinha, fazendo de conta que tínhamos mais decibéis na voz que os super tweeters e cornetas instalados no som ambulante, que insistia no zumbindo e ensurdecedor refrão:

E a muriçoca çoca çoca çoca çoca çoca çoca

E a muriçoca pica pica pica pica pica pica

E a muriçoca çoca çoca çoca çoca çoca çoca

E a muriçoca pica pica pica pica pica pica

Só o Rei da cacimbinha para conseguir fazer uma música tão caçamba. A música picava o juízo, coçava os nervos. Os nobres colegas, com muita elegância, em alguns instantes, pausavam o recitar dos belos poemas, na esperança de que o som diminuísse e pudessem dar continuidade a nossa manhã literária. Só mesmo a graça e beleza de um pombo camarada, que pousou faceiro na janela, próximo às nossas mesas, fazendo pose para as fotos, para nos aliviar daquela tormenta. Por instantes, o pombo foi a estrela da manhã, fazendo caras e bocas a cada flash.

Depois dos registros, do inusitado encontro literário, entre selfies e fotos, chegou a hora de nos despedirmos, com promessas de um novo encontro, nem tanto inusitado, espero eu. E foi assim que conheci o Café&Poesia, que este ano completa dez anos de existência literária, entre cafés, poesias e gargalhadas. E saudades também…

*Crônica retirada da Antologia Café&Poesia: volume 7 (Editora Sarau das Letras Editora LTDA), Organização: Ângela Gurgel, Raí Lopes e Socorro Gurgel.

 

 

 

Flávia Arruda – Pedagoga e escritora, autora do livro As esquinas da minha existência, flaviarruda71@gmail.com

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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