LÁGRIMAS DE UM JABUTI –
Um certo dia, Rosinha, uma jovem que ama os animais, ganhou de presente da mãe um bebê-jabuti, que vinha sendo criado em apartamento.
Com o passar do tempo, o jabuti começou a crescer muito, já atingindo 20 centímetros de diâmetro. O espaço em que era criado tornou-se pequeno e desconfortável para o seu desenvolvimento.
Uma prima de Rosinha, vendo a limitação do espaço em que o  jabuti estava sendo criado, se prontificou a assumi-lo e foi feita a mudança do pequeno animal para a sua casa, onde há quintal, e onde ele teria mais espaço para se movimentar.
Mesmo com muita saudade do jabuti, Rosinha optou por transferi-lo para a casa da prima, onde ele teria melhor qualidade de vida, e mais espaço.
O que ninguém imaginava era que o jabuti fosse sofrer tanto com a mudança. Vivendo nesse habitat há quase três anos e convivendo diariamente sob os cuidados de Rosinha, que lhe tratava com muito carinho, nada lhe parecia melhor do que o ambiente onde vivia.
Ao perceber que estava sendo levado para outro ambiente, o jabuti encheu os olhos de lágrimas e chorou em silêncio, copiosamente, como choram os seres humanos. Esse fato constrangeu Rosinha, que também não sustentou as lágrimas e chorou o resto do dia.
Ninguém pode imaginar o apego que os animais tem aos seus donos, quando são tratados com amor.
Os animais sentem tanto uma separação, quanto os seres humanos.
Jabuti, jaboti (do tupi iaboti) ou jabutim é a designação vulgar, utilizada no Brasil, para duas espécies de répteis providos de carapaça, exclusivamente terrestres, nativos da América do Sul, do gênero Chelonoidis, da ordem dos quelônios, da família dos testusdinídeos.
As duas espécies de jabuti distribuídas no Brasil são a Chelonoidis carbonaria (jabuti-piranga) e a Chelonoidis Chelonoidis denticulata (jabuti-tinga). A fêmea dos jabutis é chamada jabota. Seus parentes mais próximos (inclusive pertencentes ao mesmo gênero Chelonoidis) são a Tartaruga do Chaco (Chelonoidis chilensis, as vezes referida como Jabuti-argentino pelos brasileiros) e a Tartaruga-das galápagos (Chelonoidis nigra).
São encontradas duas espécies de jabuti no Brasil,  com ampla distribuição:
  • Jabuti-piranga (Chelonoidis carbonaria; do tupi “jabuti vermelho”), distribuída em estados do Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil .
  • Jabuti-tingaJabuti-tinga (Chelonoidis denticulata; em tupi, jabuti branco ou claro), menos comum, distribuída em estados do Norte, Nordeste e Centro-oeste. Esta espécie prefere florestas tropicais densas, como a Mata Amazônica, porém raramente pode ser encontrada em áreas mais abertas.

São animais que possuem casco convexo — carapaça bem arqueada — e pernas grossas e adaptadas à vida terrestre. A carapaça é uma estrutura óssea formada pelas vértebras do tórax e pelas costelas. Funciona como uma caixa protetora na qual o animal se recolhe quando molestado. É revestido por escudos (placas) córneas. Os jabutis podem chegar aos 70 cm de comprimento, e aos 80 anos. Sua expectativa de vida é de 80 anos, porém, havendo registros de animais alcançando 100 anos.

A carapaça do jabuti é preta e possui um padrão em polígonos de centro amarelo e com desenhos em relevo. A cabeça e as patas retráteis são de um tom de preto fosco, com manchas vermelhas, ou amarelas, a depender da espécie. O plastrão é reto ou convexo nas fêmeas e côncavo nos machos, justamente para encaixarem nas fêmeas por ocasião da cópula.

Possuem hábitos diurnos e gregários (vivem em bandos) e passam o tempo em busca de alimento, podendo percorrer grandes distâncias. Eles são onívoros, e uma alimentação equilibrada deve ter folhas e legumes; frutas e proteína animal.
Em cativeiro os Jabutis podem ter sua dieta complementada por 50% de ração canina de boa qualidade. A ração pode ser umedecida com água para amolecer, o que é importante na alimentação de filhotes. O restante da dieta deve conter frutos variados (uvas, bananas, pera e maçã) e verduras (couve e almeirão). Também pode ser oferecido, ocasionalmente, carne moída crua e ovos cozidos. Por outro lado, nunca oferecer leite ou derivados, que não são digeridos pelo animal. É importante também um suprimento de cálcio, que pode ser fornecido pela farinha de osso. Os jabutis não possuem dentes. No lugar deles há uma placa óssea que funciona como uma lâmina. Os jabutis podem virar caso tentem cruzar algum obstáculo e é comum os machos virarem durante a cópula. Nesse caso, sem ter como se desvirar, o animal pode morrer. Os jabutis precisam de água fresca para viver, e não apenas a água dos alimentos. Por serem exclusivamente terrestres, e sem capacidade de nadar, a morte por afogamento infelizmente é muito comum.
O jabuti é considerado pela legislação como um animal silvestre. Por isso para tê-lo em domicílio, segundo a legislação brasileira, é preciso que seja oriundo de um criadouro e registrado junto ao órgão ambiental.
Até 2011 esse registro era realizado pelo IBAMA. Atualmente os órgãos estaduais de Meio Ambiente é que detêm a competência de registro dos criadouros comerciais de fauna silvestre.

Apesar da proibição, o jabuti é tradicionalmente criado como animal de estimação em diversas partes do país.

O Prêmio Jabuti é considerado o mais importante prêmio literário do Brasil.

Provérbios e ditos

No Brasil, há alguns provérbios populares acerca da figura do jabuti. Entre eles:

  • “Jabuti não pega ema”.
  • “Jabuti não sobe em árvore”.
  • “Jabuti quando tem pressa, aprende a voar”.

 

 

 

 

 

Violante Pimentel – Escritora

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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