INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL –

Eis o assunto da moda. Você não liga uma TV, não escuta um rádio, não usa a Internet, que não seja assaltado por esse assunto – inteligência artificial. Aliás, de extremo interesse e merecedor de todos os comentários. Com estes é que se precisa ter cuidados, pois os há dos mais objetivos e inteligentes, aos mais esdrúxulos e exagerados. Vão da salvação da civilização ao seu extermínio. Até já li sobre um individuo que cometeu suicídio aconselhado por IA.

Sou apaixonado por esses assuntos, e não é de hoje. Há mais de setenta anos me envolvo com rádios e eletrônica. Menino, uma das minhas manias era escutar o rádio. A empresa de meu pai vendia rádios, ele também gostava e o de nossa casa era sempre muito bom. Como ele só escutava o noticiário e ninguém mais se interessava, eu era o dono e o usava o tempo todo. Escutava estações do Brasil e do mundo, preferências sendo a Rádio Nacional, BBC e Voz da América. Mas não ficava só aí. Quem mandava era a curiosidade.

Essa curiosidade me levou ao radioamadorismo. Perto de mim morava José Bezerra Marinho, PY7QB, e eu ficava na sua janela o escutando falar com “as almas”, como dizia um amigo meu. Hélio Segundo era meu amigo, e eu ia para a casa dele, vê-lo operar sua estação PY7QX. Muitas vezes com Solon Galvão Filho (Solonzinho), que tinha as mesmas manias. Terminamos fazendo exame para radioamador, nos Correios, que constava de Eletricidade, Eletrônica, Código Morse, Legislação e Português. Fomos aprovados e recebemos nossos prefixos, eu, PS7SO, e ele, PS7SL.

E passei a me envolver com esses assuntos de forma permanente. Os recursos no Brasil para o hobby eram muito escassos. Tínhamos que montar nossos rádios, fazer nossas antenas, o que nos levou a nos aprofundar no conhecimento de eletrônica. Quando comecei como radioamador, só existia transmissões em AM e Código Morse. Depois foram surgindo outras formas de comunicação, que dava uma cobertura mais ampla, como SSB e FM. Com FM, surgiram as estações repetidoras e o uso de satélites. Aqui no RN chegamos a ter estações repetidoras que cobriam praticamente todo o Estado e depois o Nordeste. Chegamos a usar satélites colocados em órbita por radioamadores, inclusive um brasileiro, fruto do trabalho de um companheiro nosso do Paraná. E tudo isso me levou para a computação.

Em 1968, comprei o meu primeiro computador, Atari, numa viagem aos Estados Unidos. Era simples curiosidade. Poucos recursos, quase nenhum programa e usando BASIC, uma das primeiras linguagens de computação. Ainda tenho o manual que ensinava o uso da linguagem. Depois comprei um bem mais avançado, Comodore, e a coisa disparou. Hoje, tenho um Apple, impossível de comparar com os do passado. É o que estou usando para escrever estes comentários, que já estão muito comprido. Vou fazer como o Cinema Royal e suas séries de Flash Gordon – continua na próxima semana.

Mas, um assunto final. Já uso IA. Há dias mandei fazer um desenho abstrato, Ficou sensacional. Publiquei no Facebook sem dizer a origem e muitos amigos me cumprimentaram. Dias depois contei a história. Um pequeno retrato de IA e seus poderes.

 

 

 

 

 

Dalton Mello de Andrade – Escritor, ex-secretário da Educação do RN, dandrade@dmandrade.com.br

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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