HÁ 50 ANOS –
Em dezembro próximo (2019), completaremos cinquenta anos de formados. A 9ª turma de medicina, ano de 1969, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte( UFRN).
Meio século de exercício e vida médica.
A nossa turma abriu caminho para a expansão em número de alunos do curso médico, quando antes só se formavam vinte cinco profissionais por ano, passamos para sessenta alunos/ano.
Tudo aconteceu em um momento de muita instabilidade e convulsão republicana. Época da Guerra Fria, época do capitalismo versus comunismo, época do Estados Unidos “brigando” com a Rússia e, nessa peleja de gigantes, quem ousasse ficar “vermelho” era sumariamente massacrado pelo Tio Sam.
O lado bom do momento, eram os divertidos e animados “trotes” acadêmicos, aproveitando para tirar sarro em cima dos acontecimentos mais comentados da cidade, usando o humor e a inteligência, rejeitando a violência e os maus-tratos. Lembro bem das faixas que conduzíamos, percorrendo as principais ruas da cidade: “Os calouros de 64 vão ser doutores em 69”, “A arapuca de Jesiel pega rolas, pombas e pintas”, “Aluízio, vai provar que macaco velho é mais vivo que gorila”.
Lá se foram cinquenta anos. Muita coisa rolou nesse meio centenário, seja na medicina como um todo, seja com os colegas de turma. Uns nos deixaram mais cedo, fizeram a viagem para o andar de cima, outros seguiram caminhos próprios e prósperos. Os que ficaram em Natal, hoje, são dignos representantes, competentes e inovadores em suas áreas, o que muito tem contribuído para engrandecimento da medicina do Estado.
A medicina avançou, e muito. Saímos de uma época pobre, provinciana e humana, e entramos na medicina moderna, cara e, infelizmente, desumana.
Não existiam os Planos de Saúde, nem as Clínicas Populares (que surgiram e cresceram muito com a falência da rede pública de saúde), mesmo assim, não faltava o bom atendimento público humanizado. Não se ouvia falar em mutirões disso ou mutirões daquilo. Todos eram atendidos em tempo hábil. Não existia a famigerada prática da regulação para os atendimentos, que só faz lotar e entupir os computadores, apagando e afastando o paciente do atendimento, piorando seu estado de saúde; não se conhecia, nem se imaginava a denominação Hospital Porta Fechada (ao pé da letra: Hospital que não funciona).
Os pacientes são deixados em macas (emprestadas) nos corredores, as parturientes parem no chão ou mal sentadas nos corredores; as crianças ficam sem vagas em UTIs. Fecham-se hospitais. As doenças, antes erradicadas, estão voltando com força e sem controle. É desumano e cruel o que temos presenciado atualmente na saúde pública brasileira.
Como evoluirá daqui para frente? Seguirá o mesmo caminho? Será que vamos melhorar no quesito humano? Será que finalmente a saúde será vista como uma necessidade básica da população? Uma população com saúde não será mais produtiva e protegida?
Esperamos que essas respostas cheguem bem e breve, e que não demorem mais cinquenta anos.
Berilo de Castro – Médico e Escritor – berilodecastro@hotmail.com.br
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