Valério Mesquita*

Hospedo hoje, neste espaço, carta que recebi do Rio de Janeiro, da lavra do historiador e escritor Paulo de Albuquerque Maranhão, membro do nosso IHGRN e descendente de Augusto Severo e Alberto Maranhão.

“Caro amigo Valério:

Agradeço o atencioso encaminhamento dos artigos sobre Guarapes, de Vicente Serejo e Valério de Andrade.

“(…) Guarapes era o centro comercial de repercussão, de conhecimento, de fama e poder. De 1869 e 1870, mais de vinte navios vem, em viagem direta, da Europa a Guarapes, carrega (…)”. “Tudo era rumor, vida, agitação (…) atividade”. (Luiz da Câmara Cascudo, “Acta Diurna” – “Casa de Guarapes”).

Hoje, a situação é de abandono.

À “mercê da ação do tempo, de vândalos e posseiros (…)”, repousam as ruínas da Casa de Guarapes. “O casarão, (…) hoje (…) apenas com as estruturas das paredes”, “está quase encoberto pela mata, com os cômodos” servindo de abrigo “para animais terrestres e de poleiro para aves silvestres. Teias de aranha por todos os lados dão um ar tenebroso ao ambiente”. (Luciano Oseas).

O escritor Vicente Serejo diz que “matéria da Folha de Macaíba, assinada por Luciano Oseas, mostra o quanto somos desatenciosos com o nosso patrimônio histórico. Tem sido uma prática perversa e injusta”.

Em 1945 – há 62 anos, portanto – já lamentava Luís da Câmara Cascudo: “Tenho feito o impossível para que as ruínas históricas do Rio Grande do Norte não pereçam. Relatórios, moções, artigos, fotografias, resumo, notas, tudo, profusamente, tenho feito e enviado aos entendidos particulares e aos desatendidos oficiais (…)”.

Está-se diante de uma dificuldade que não é nova. O descaso é antigo.

De qualquer forma, houve, por sua iniciativa, um grande avanço, com o tombamento em 1990. E sua atuação tem ressoado na imprensa. Como o prédio está muito deteriorado, e uma maior demora para a restauração poderá inviabilizá-la, sua luta para que ela se faça de imediato pode impedir seu desaparecimento.

A ocorrência do novo governo no Rio Grande do Norte é uma oportunidade particularmente significativa para a restauração, inclusive para que, na comemoração desse século e meio, se possa ver como era o casarão na “época rutilante que o tempo levou… “.

Vários argumentos, portanto, militam a favor da causa:

1) Guarapes deve ser restaurada por sua importância para Macaíba e o Rio Grande do Norte. Essa importância como que foi oficialmente reconhecida pelo ato de tombamento.

2) A restauração deve ser logo. A demora pode torná-la inviável.

3) A restauração para a comemoração do sesquicentenário permitirá, nessa importante data, ver, ao menos aproximadamente, como era o casarão na época de seu apogeu.

Bom seria, com a ajuda dos órgãos culturais do Estado e de Macaíba, obter a adesão da Assembleia Legislativa para uma atuação unida junto ao Poder Executivo do Rio Grande do Norte.

Reitero, na oportunidade, meu apoio, e meus cumprimentos por sua atuação, firmando-me.”

(*) Escritor. mesquita.valerio@gmail.com

Ponto de Vista

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