FREIO DE ARRUMAÇÃO – 

Nesses tempos de pandemia, depois de um longo tempo percorrido, fico olhando ao meu redor, atento aos acontecidos, vendo medo, tristezas e a cara da fome em rostos embrutecidos.

Em muitos desses rostos, existe uma preocupação latente, por demandas urgentes, para ontem, e que nunca chegam, como será?

Aqui onde estou atualmente, numa praia, refugiado e escondido do Covid-19, disfarçado de álcool em gel, vejo que as necessidades básicas para o ser humano sobreviver é a carência mais urgente e necessária. Pessoas que dependiam do turismo como fonte de renda, estão sem ganho salarial algum, desde o início desta pandemia. Muitos não conseguiram ter acesso ao dinheiro disponibilizado pelo governo federal e são justamente esses os maiores necessitados, além dos que já existiam , os deserdados de cidadania.

Vejo que aumentou o número de pessoas que procuram material reciclável,além de alguma comida que por ventura exista nesses depósitos de lixo em frente a casas e condomínios.
Por outro lado vemos também, pessoas preocupadas com essa situação- eu incluso- ,que doam cestas básicas, uma maneira de aliviar a fome de alguns , mas, sabemos não ser suficiente. É só um “refrigéro” , como dizia meu saudoso pai.

Rezo e clamo a Jesus, para que essa pandemia acabe e possamos voltar para nossa vida normal, agora mais fortes e cientes que a natureza merece cuidados e respeito, pois o ser humano sentiu o medo, pavor mesmo,diante dessa pandemia que também é um ser vivo,ou não,-há controvérsias-e que nos colocou de joelhos …

” A POESIA SERVE SIM”

FREIO DE ARRUMAÇÃO

Nessa pandemia desgraçada
A fome que poucos viam
Agora mostrou a cara
Para aqueles que se escondiam
Não a queriam avistar
Mesmo a vendo ao lado, passar
Era assim que agiam

Agora a vêem chegar
Batendo na sua porta
Aonde se refugiam
Se fingindo de mortas
Para demandas urgentes
De seus iguais, tão carentes
Alguns agora se importam

Foi preciso que um vírus
Desse um freio de arrumação
Em vidas tão desregradas
Alheias a essa situação
Pois estamos num mesmo barco
Surfando a mesma onda
Dessa virose do cão

Gente do céu!
Temos que cair na real
Vermos que somos iguais
Nascemos e morremos do mesmo jeito
O que querem entender mais
Estão vendo essa pandemia?
Todos nós estamos suscetíveis
Não somos diferentes, jamais!

Vamos nos ajudar
Entender nossa humanidade
Saber que somos diferenciados
Cair na real e com dignidade
Dividir com quem tá numa pior
Fazer um mundo melhor
Em nome do amor e da verdade…

 

 

José Alberto Maciel OliveiraRepresentante comercial aposentado
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

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