FINAL FELIZ – Ana Luíza Rabelo

FINAL FELIZ –

A maioria das pessoas ouviu durante a infância pelo menos um conto de fadas. Histórias onde tudo termina bem, os bons ficam felizes, os não tão bons se arrependem e se redimem. Tantos contos geram uma expectativa ilusória nas mentes humanas e nos fazem acreditar que todo o mundo é cor de rosa, simples e sem esforço.

Às crianças, é ensinado o valor da vitória, e a importância da competição se perde diante da glória do pódio. A maior parte das metodologias de ensino peca ao entregar de bandeja pensamentos e opiniões pré-fabricadas. Não somos ensinados ou encorajados a raciocinar por nós mesmos até ingressar no ensino superior, e a mudança brusca da didática de ensino causa insegurança, ansiedade e frustração em muitos dos iniciados na vida adulta.

O despreparo para tudo o que não é triunfo é tal que, pequenos episódios, como uma nota baixa ou uma paixão não correspondida, podem gerar consequências emocionais sem tamanho e mutações tão negativas na personalidade que, às vezes, torna muito difícil, ou mesmo impossível, recuperar-se da queda e dar “a volta por cima”.

O sapientíssimo escritor Fernando Sabino já disse que “No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim”. Fazendo-nos, uma vez mais, acreditar no final feliz. Porém, ele esqueceu-se de acrescentar que existe uma fórmula para a felicidade e para o sucesso. O trabalho árduo, as boas intenções e pensamentos e uma mente bem trabalhada para aceitar e, sobretudo, aprender com os revezes da vida são os principais caminhos que devemos seguir.

Culpas, negativismo, egoísmo, inveja e ações prejudiciais a si e ao próximo são o modo mais fácil e rápido de chegar ao insucesso. São como organismos que corroem e corrompem o íntimo de cada um, aumentado de tamanho sempre e impedindo que o indivíduo cresça, prospere e evolua.

Os ideais de boa índole estão, há muito tempo, transitando em nossa cultura, às vezes morrendo e outras vezes renascendo, de acordo com a oportunidade que somos capazes de lhes dar. Livros de autoajuda, estudos científicos e psicológicos têm sido realizados em larga escala mundo afora. Muitos leem, alguns esquecem, ignoram ou desacreditam, porém uma pequena parcela das pessoas aprende e uma parte menor ainda repassa o conhecimento que lhe foi delegado.

Entretanto, é lamentável lembrar que pouquíssimas pessoas aplicam as técnicas de inteligência emocional em suas vidas e, pior, na vida das mentes pueris, carentes de esteios e exemplos. As novas vidas, pelas quais somos moralmente responsáveis, perdem-se num mundo onde a beleza e a capacidade econômica são as bases, e a ausência de um reforço na estima, no esforço e na esperança são fatores-chave para o caos e o descaso da sociedade atual.

Precisamos aprender para ensinar direito. Lembrar que a conquista é mera consequência do trabalho duro, que o conhecimento é o maior bem que alguém pode possuir e que o final (assim como o começo e o meio) só será definitivamente feliz se houver força de vontade, trabalho e desejo.

 

Ana Luiza Rabelo – Advogada (rabelospencer@ymail.com)

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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