FECHE A PORTA E A JANELA – Ana Luíza Rabelo

 

FECHE A PORTA E A JANELA –

… Pra não ver o sol nascer.

É, nos tempos atuais não dá mais para seguir os passos da canção e deixar portas e janelas abertas. Nem de casa, nem dos carros. Todos estamos trancados, engradeados em nosso próprio mundo, quase sempre inseguro e incerto. Temos medo de compartilhar, de confraternizar, de fazer amigos (quiçá de rever velhas amizades, pois o que o tempo e a distância poderão ter feito com as nossas – deles – personalidades?).

Vida louca, vida, vida breve. Nossos compositores têm razão em exaltar a frugalidade de uma vida tão valiosa e tão, aparentemente, sem valor. Nós nos trancamos, nos escondemos, e, nem mesmo assim, conseguimos a segurança, tão cara nos dois sentidos (tão bem paga, tão ansiada).

O medo e o sentimento de angústia e pavor que nos cercam não param, e não somos capazes de fazer nada contra isso. A democracia, a União, os Governantes, que deveriam ser nossos tutores, escondem o rosto e se escusam de sua “sacramentada” obrigação de nos proteger. Desarmando os civis, diminuindo o poder de policiar e punir em nome de “direitos humanos”, direcionados para quem não se interessa pelo direito dos outros humanos.

Uma sociedade irada e atormentada pelo medo. É exatamente aquilo que nos tornamos. Atacamos, brutalizamos, sob a desculpa esfarrapada de que a defesa é o melhor ataque. Então, que ataquemos diretamente aqueles que, indiretamente, são os responsáveis por nós, nossa segurança e qualidade de vida. Ataquemos os maus governantes, não fisicamente, pois não somos bárbaros nem queremos ser igualados àqueles que precisam de punição, ataquemos com palavras, com atos e com votos.

Denunciemos falcatruas, recorramos à força policial, às Forças Armadas, à Justiça! Vamos correr atrás do que é certo, vamos acusar os desvarios do poder! Enquanto todos nós nos calamos e fingimos, tudo permanece desmoronando ao nosso redor, assim como os passageiros do Titanic, que comiam, bebiam e dançavam enquanto o majestoso navio ia a pique.

Não sejamos barbarizados e acorrentados pela própria inércia! Que gritemos e falemos, para que, enfim, possamos abrir as portas e janelas só para ver o sol nascer!

Ana Luíza Rabelo SpencerAdvogada – (rabelospencer@ymail.com)

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