Dalton Mello de Andrade

Deve ser por conta da idade. Minhas estórias, ou quase todas, são antigas. Mas também falo das coisas de hoje, como o problema da falta d’ água, cada vez mais complicado. Ou da política e dos políticos, desmantelados. E que somos forçados a tolerar.

 Entrei no Rotary Clube em 1953. Pelos padrões da época, e mais ainda  hoje, um menino de 23 anos. Convidado por Álvaro d’Araujo Lima (Limarujo), das grandes figuras de Natal, fui aceito pelos meus futuros companheiros. Você tinha que ser aprovado por todos. Um voto contra e você não entrava no clube. Em compensação, você só sabia quando tinha sido aceito.

 Não fiz como Groucho Marx que, convidado a entrar num clube para o qual tinha sido aceito, responde: não entro num clube que me aceita como sócio. Aceitei,  e passei a conviver com verdadeiros patriarcas da cidade, como Alvamar Furtado, Sólon Aranha, João Motta, Luiz Veiga, Antonio Justino Bezerra, Floro Dória, Militão Chaves, Orlando Gadelha, Fernando Pedrosa, e alguns da minha geração, como Heriberto Bezerra, Jarbas Bezerra e Paulo Bittencourt, entre outros. Para minha satisfação e alegria.

Deixei o clube vinte anos depois. Secretário da Educação de Cortez Pereira, era muitas vezes obrigado a faltar, ou chegar atrasado. Pedia desculpas, que eram aceitas pela maioria. Não sei se ainda é assim, mas o comparecimento era obrigatório e sua ausência, diziam alguns, prejudicava o clube. Era amigo de todos, mais de uns, menos de outros, e um dos “menos” fez uma reclamação, que achei desagradável e injusta, criticando minha ausência. Por isso, deixei o clube. Quando ele terminou seus arrazoados, respondi me desligando do clube, na hora. Alguns lamentaram, outros insistiram para que voltasse. Foi uma decisão definitiva.

Não deixei de ter amizade com a figura, que já faleceu. Lamentei sua morte, fui ao seu velório e enterro. Asseguro, não foi para ter certeza de que tinha morrido não. Apesar de tudo, e da deselegância dele na ocasião, continuamos amigos.

Essa lengalenga toda para contar um história desse tempo. Orlando era um sujeito espirituoso. Em qualquer situação, sempre tinha um comentário jocoso, e oportuno. Floro Dória era diretor do Escritório Saturnino de Brito, responsável pelo saneamento e água da cidade. Foi o homem que inventou saneamento em Natal, aumentou e melhorou o serviço d’água por aqui. Enfrentava dificuldades, como ainda hoje, e de vez em quando, faltava água aqui ou ali. Quando isso atingia bairros de alguns companheiros, que reclamavam, ele dava explicações detalhadas das razões. Numa dessas vezes, quando ele terminou, Orlando encerrou o bate-papo com um comentário fulminante: tudo bem, Floro, quer dizer que nós vamos continuar pagando o aluguel dos canos.

Tudo isso para dizer que esse problema de falta d’água não é de hoje, a tendência é de se agravar e os nossos “competentes” governos, com algumas exceções evidentes – como as adutoras de Garibaldi -, pouco ou nada fizeram. Como podem deduzir, continuo preocupado com o desperdício. E fechando torneiras.

 Dalton Mello de AndradeEx Secretário de Educação do RN

 

 

 

Ponto de Vista

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