ESPAÇO VITAL –

Espaço Vital é um conceito proposto pelo geógrafo alemão Friedrich Ratzel, no final do século XIX. Ele o descreve como o espaço necessário para a expansão territorial de um povo, considerando a necessidade de recursos naturais e condições geográficas, adequadas ao desenvolvimento econômico e social.
O termo foi utilizado para justificar a expansão territorial da Alemanha, após a Primeira Guerra Mundial, sendo associado a ideias de racismo e imperialismo, durante o regime nazista, onde o “espaço vital” era visto como um direito da raça ariana, a reunir todos os povos germânicos sob um único território. (StudHistória+3).
Quando se fala em espaço vital, entende-se que se trata do espaço que a humanidade necessita para viver.

Realmente, a qualidade de vida dos seres humanos está ligada ao espaço vital que lhe é posto à disposição pelos governantes. Está ligado ao tema dos direitos humanos, saúde mental e qualidade de vida. A sobrevivência da humanidade depende do espaço vital de que dispõe.

Na realidade, a expressão “espaço vital” é uma cobrança à nossa sociedade, para que o ser humano tenha condições de vida, podendo respirar livremente, resistindo às influencias negativas da nossa sociedade, e até do ar que respiramos.

A superpopulação requer cada vez mais um maior espaço vital, que garanta melhor qualidade de vida à humanidade.

A qualidade do espaço vital é de suma importância para os indivíduos e as comunidades. É responsável pela boa ou má qualidade de vida.

O conceito de espaço vital (em alemão: Lebemsraum), foi concebido por Friederich Ratzel, nos seguintes termos:

“Toda a sociedade, em um determinado grau de desenvolvimento, deve conquistar territórios onde as pessoas são menos desenvolvidas. Um Estado deve ser do tamanho da sua capacidade de organização.”

Friedrich Ratzel propôs uma Antropogeografia, como um ramo da geografia humana, que estudaria o espaço de vida dos agrupamentos humanos. Ao sistematizar os conhecimentos políticos aplicados pela geografia, Ratzel contribuiu decisivamente para o surgimento da geografia política, que no início do século XX foi acrescida do termo geopolítica, dado por Rudolf Kjillèn.

O geógrafo alemão Friederich Ratzel visitou a América do Norte, no início de 1873 e se impressionou com a doutrina do destino manifesto nos EUA. Ratzel simpatizava com os resultados do “Destino Manifesto”, mas ele nunca usou o termo. Em vez disso, contou com a Tese da Fronteira de Frederick Jackson Turner. Ratzel promoveu colônias ultramarinas para o Império Alemão, mas não uma expansão em terras eslavas. Depois, alguns alemães reinterpretaram Ratzel para defender o direito da raça alemã se expandir na Europa. Essa noção foi, mais tarde, incorporada à ideologia nazista. Harriet Wanklyn argumenta que os políticos destorceram a teoria de Ratzel para objetivos políticos. Daí, a origem dos colonizadores.

Origem dos colonizadores alemães dos territórios conquistados no Leste.

O espaço vital seria o espaço necessário para a expansão territorial de um povo, no caso, o povo alemão. Não apenas a restauração das fronteiras de 1914, mas também a conquista da Europa Oriental, espaço onde as necessidades, relativas à dominação territorial e recursos minerais desse povo seriam supridas. Quem também fazia parte, como se fosse um “trato”, era a Itália, que por ficar do outro lado do “espaço vital” era de grande interesse alemão. O interesse alemão e italiano nesta expansão justificava-se em certa medida pelo fato de os dois países serem retardatários na expansão marítima europeia, e ao contrário da França e da Inglaterra, não tinham vastos domínios coloniais. O “possibilismo”, de Vidal de la Blache, serviu como uma resposta antagônica ao espaço vital, ao considerar que havia maneiras de desenvolver economicamente o espaço vital em um limitado espaço geográfico. O líder nazista desejava atacar a União Soviética no verão de 1940, logo após a queda da França.

Adolf Hitler considerava que a “raça ariana” (que segundo ele, era superior) deveria permanecer unida, e para uni-la ao Império Alemão deveria possuir um território maior. Esse território era onde o povo germânico morava, porém foi dividido. Era chamado de “Espaço Vital Alemão”. Tal argumento foi amplamente discutido em seu livro Mein Kampf, e utilizado como discurso de justificativa da marcha alemã sobre a Europa a começar pela anexação da Áustria, que antes pertencia à Confederação Germânica e antes disso ao Sacro Império Romano-Germânico. Hitler queria invadir Sudetos, que compunham a região mais industrializada da Tchecoslováquia, mas havia um problema: as potências França e Inglaterra tinham assinado um acordo com a Tchecoslováquia, que prometia protegê-la em caso de ataque estrangeiro.

Todas as guerras, a que estamos assistindo, tem como alvo principal o ESPAÇO VITAL.

As guerras atuais tem, na maioria dos casos, uma relação direta ou indireta com a luta pelo espaço vital (Lebensraum), frequentemente rebatizado na geopolítica moderna como disputa por territórios estratégicos, recursos naturais ou hegemonia regional. Embora o termo “espaço vital” seja historicamente associado ao expansionismo nazista, o conceito geográfico de garantir território para recursos, segurança e sobrevivência econômica permanece central em muitos conflitos modernos.

O espaço vital trata da necessidade de o Estado ter o direito de atuar sobre uma área geográfica (território) que garanta condições de sobrevivência de uma determinada sociedade. Este conceito foi formulado no contexto da II Revolução Industrial e no momento em que a Alemanha passava a exercer ação geopolítica na Europa.

Atualmente, o conceito de espaço vital (Lebensraum) é tratado predominantemente como um conceito histórico e geopolítico clássico, associado à necessidade de território para a sobrevivência e desenvolvimento de uma população, mas também é discutido em dois contextos distintos:

– Refere-se à teoria formulada por Friedrich Ratzel no final do século XIX, que defendia que o Estado é um organismo vivo que precisa de território (espaço) para crescer e garantir recursos para sua população. Esta teoria foi distorcida pelo nazismo para justificar a expansão territorial alemã (o “Espaço Vital Alemão”) antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

– Trata-se do “espaço vital psicológico”, definido como a totalidade de fatos que determinam o comportamento de um indivíduo em um determinado momento, não sendo um espaço físico, mas sim um espaço mental onde as influências ambientais e pessoais se cruzam.

Em debates contemporâneos, a noção de espaço vital evoluiu para o controle de recursos e influência econômica, focando na interdependência e no desenvolvimento de áreas de influência, em vez de conquista territorial direta.

 

 

 

Violante Pimentel – Escritora

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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