ENTRE BARRACAS E HORIZONTES: A BELEZA QUE NASCE DA TEMPESTADE – Alberto Rostand Lanverly

ENTRE BARRACAS E HORIZONTES: A BELEZA QUE NASCE DA TEMPESTADE –

Entre palavras e silêncios, aplausos e reflexões, recentemente, vivi dias que ainda ecoam em mim, pois ao lado da delegação da Academia Alagoana de Letras, participei da 5ª edição da FliPenedo, encontro onde a cultura se ergueu como sopro de encantamento.

Entre um evento e outro, permiti-me um desvio. Caminhei sem roteiro até a feira livre, pulsante, viva, humana. Ali, onde a literatura cede espaço ao cotidiano, encontrei uma narrativa ainda mais genuína: a do povo em sua essência.

Foi então que o céu decidiu intervir, quando chuva intensa caiu repentina, obrigando feirantes e visitantes a buscarem abrigos improvisados. E, como que obedecendo a um roteiro invisível, surgiu no horizonte um arco-íris majestoso, sereno, desenhado exatamente sobre o leito do Rio São Francisco, que seguia seu curso indiferente ao alvoroço das margens.

Naquele instante, enquanto observava o vai e vem das pessoas, percebi algo que ultrapassava a simples contemplação estética. Havia ali uma profunda semelhança entre o arco-íris e o ser humano.

Assim como o arco-íris nasce do encontro entre luz e tempestade, também nós somos forjados nos contrastes da existência, pois cada indivíduo carrega suas próprias cores, alegrias, dores, esperanças, lutas, compondo, coletivamente, um mosaico tão complexo quanto belo. Isoladas, essas cores poderiam parecer dispersas; juntas, revelavam um espetáculo de humanidade.

O arco-íris não interrompe o curso do rio, assim como a beleza da vida não impede o fluxo inexorável do tempo. O São Francisco seguia, soberano, lembrando que tudo passa, inclusive a chuva. Ainda assim, naquele breve intervalo entre a tempestade e a calmaria, a beleza se fez presente, intensa e suficiente.

Percebi então que o ser humano, tal qual o arco-íris, não precisa ser permanente para ser significativo, sua grandeza está justamente na capacidade de surgir, mesmo após as tempestades, carregando em si a síntese de tudo o que viveu.

Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras

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