ENVELHECER –
Dias fazem que não escrevo uma linha. Nos primeiros dias, foi problema de saúde. Andei meio pitimbado, e sem coragem para nada. Depois, confesso, foi uma doença chamada preguiça, que é boa e ruim ao mesmo tempo.
Nestes dias “parados”, andei pensando um bocado e um desses pensamento constantes foi a arte de envelhecer. É uma arte que você tem que aprender. Ninguém nasce sabendo, à medida que o tempo passa a gente tenta não pensar no assunto, mas, um dia, você acorda e sente o peso da idade, que começa a lhe fazer companhia, com maior ou menor intensidade, pelo resto a vida.
Um amigo de meu pai, que morreu com 97 anos e com quem eu gostava de conversar e aprendi muito dizia: Dalton, envelhecer é uma dádiva de Deus, mas ser velho é uma merda muito grande. Com a idade que tinha, falava a voz da experiência. Foi meu “professor” de como envelhecer, sem ser um chato e reconhecendo as dificulades que iria enfrentar. Tento seguir seus ensinamentos, que basicamente podemos reduzir em poucas palavras: aceite o que vier, procure evitar o pior e tenha coragem para enfrentar a vida. Isso é o que procuro fazer e, para mim, tem funcionado. Outra lição que nunca esqueci, essa do meu amigo Alvamar Furtado, num momento em que perdi a paciência com um garçom foi: Dalton, tenha cuidado para não se tornar um velho rabugento. E posso assegurar que tenho melhorado, nesse aspecto, a cada dia. Penso sempre duas vezes, antes de externar meus sentimentos, de elogio ou de crítica – e evito ao máximo as críticas.
Mas asseguro a vocês. Não é fácil. Deitar é um alívio. Você se espreguiça, estira o corpo todo na cama, faz alguns exercícios de alongamento e está pronto para dormir. Felizmente durmo sem muita dificuldade. Ao acordar pela manhã começam os problemas. Ao levantar, as pernas não querem obedecer, o corpo dói, os braços estão dormentes. Um sofrimento. Primeira coisa para despertar totalmente é um banho quente. O ideal seria frio, mas não tenho coragem (tenho um amigo que tem 93 anos e tomo banho frio, eu digo “você é um herói” e ele respondeu, devo ao meu tempo na Marinha). Depois do banho você já se sente bem melhor. O café da manhã é uma refeição importante, mas como pouco. Uma das coisas que a velhice me trouxe foi a falta de apetite. Ainda bem que não interferiu fortemente no meu whisky. Continuo tomando duas doses, mas só sábados e domingos.
O tempo demora a passar, felizmente. Não tenho pressa. Leio muito, vejo esportes na TV, e um ou outro filme na Netflix ou YouTube. Mas, o meu forte é a leitura, e estou relendo muito dos meus livros, especialmente sobre a II Guerra Mundial. Sempre há coisas novas que lhe escaparam da primeira leitura. Também converso muito com os meus netos, sempre curiosos, e isso é bom.
E assim vou levando os meus dias e convivendo com a idade. Não tenho medo de morrer e já comprei tanto minha cremação, com a de Ione, com todos os acessórios necessário. Não quero dar trabalho ou despesa a ninguém. Quanto as cinzas, vou imitar meu amigo Lenine Pinto: os vivos que se preocupem. Mas penso em jogá-las no mar, em Jacumã.
Dalton Mello de Andrade – Escritor, ex-secretário da Educação do RN, dandrade@dmandrade.com.br
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