Como cidadão, eleitor, ex-prefeito de Macaíba, e ex-deputado, vou emitir a minha opinião sobre o pretenso endividamento de vinte milhões de reais da prefeitura de Macaíba ao BNDES. Têm razão os que se alarmaram com o valor do empréstimo já aprovado pela Câmara Municipal. No momento em que o Brasil passa por seríssima crise de escândalos financeiros com prejuízos de bilhões para a sua economia, envolvendo superfaturamentos de obras, investimentos fictícios, seria aconselhável que a aplicação desse empréstimo oficial viesse precedido de um estudo e debate com os demais segmentos da sociedade. Valor tão alto, comprometimento tão significativo das finanças de Macaíba na metade do mandato do atual gestor não pode ser visto sem as naturais dúvidas e temeridades.
A construção da nova sede para o Legislativo Municipal é, de certa forma aceitável nessa epopéia fantástica. Mas, o que é censurável, reside exatamente na omissão – como bem frisaram João Marques, Manoel Maurício e Pedro Raimundo Vieira, entre outros – exatamente no que se refere a ausência dos serviços de infraestrutura e instalações operacionais que iriam atender as demandas sociais e urbanas e não a vaidade e as ostentações de edifícios funcionais por razões políticas, caríssimos, suntuosos, além de móveis e equipamentos novos que não serviriam ao povo pobre. Inclusive, a todos que são carentes de habitação, de saúde, de educação, de segurança. Acrescente-se, que esqueceram também de aberturas de ruas e avenidas, preparando a cidade para o futuro.
Um empréstimo dessa magnitude, precisa, e ainda há tempo, ouvir, além da Câmara que já se pronunciou por maioria de votos, estender a discussão aos órgãos do comércio, da indústria e a outros segmentos da cidade. Macaíba já deveria ter um plano diretor de crescimento a fim de evitar que as decisões administrativas desse tipo não partam de improvisações que conduzem o dinheiro público para onde bem quer e não para onde o povo precisa. Agindo assim, não haverão dúvidas, dívidas, desconfianças nem necessidade de operações “lava jatos”, “impacto”, tão comuns nos dias de hoje.
Expresso essas considerações com a mesma liberdade de propósito e opinião da maioria dos conterrâneos. Cada munícipe desfruta do seu direito de opinar. O objetivo é ofertar uma cooperação ao serviço público municipal dento de uma ética democrática. Os cargos públicos que ocupei na minha vida e a experiência que amealhei ao longo do tempo, me conduzem a pensar dessa forma sem qualquer subterfúgio político ou partidário. Até porque, esses dois princípios (partidos e política), estão em profundo desgaste, descrédito e decadência, neste país. O bom e o bem vêm do povo, para o povo, pelo povo. Pode ser interpretado como espertezas e interesses ocultos. Dinheiro público menor, muito menor do que o do escândalo da Petrobras, como este do empréstimo de vinte milhões corre risco, caso não se atendam as expectativas do povo e não se fiscalize a aplicação. Endividamento não e bom negócio, principalmente quando em favor de poucos e não da coletividade. Sem liberdade de expressão não podemos frear os abusos.
Valério Mesquita é escritor e presidente do IHGRN mesquita.valerio@gmail.com
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