Dalton Mello de Andrade

Pós jantar. Conversa de diabético. Jantar simples, como deve ser para nossa idade. Uma fruta, pão, queijo, café. Então, tomar todos remédios. Acho muitos. Mas, não brigo cm meus médicos.

Vamos ver TV, até chegar a hora da cama. O problema é que não tem o que ver na TV. Ontem, de Leste a Oeste e do Oiapoque ao Chuí, só Carnaval. Um bando de malucos pulando, umas músicas idiotas, sem melodia, sem letra, sem pé, nem cabeça. Mas, alvissaras, mostram a unidade do Brasil; pelo menos.

Mudo de canal o tempo todo. De repente, um noticiário. O mais do mesmo. Políticos roubando, Polícia prendendo, Juízes soltando…há exceções, claro. “De menor” assaltando, “de maior”, assaltado. Mudo rápido de canal. Rápido. Mais do mesmo, nos demais.

Novelas, novelas. Irrisórias, irrelevantes, imorais, idiotas, irritantes. Procuro outra coisa, e encontro um canal de esportes. Futebol do Brasil não vejo mais. Um bando de perna de pau, cada dia pior. Encontro um jogo de hockey no gelo, que eu adoro. Até o campo gelado parece esfriar a sala. Montreal versus Toronto, em Montreal. Daltinho é fã. Quem sabe não estará no campo e por uma dessas aparece na TV? Mas Ione não gosta. “Um bando de marmanjos, com um pedaço de pau, correndo atrás de uma rodinha de madeira que nem se quer a gente vê! E brigando o tempo todo”. Mudo de canal, claro. Tento o YouTube, que tem tudo.  Não consigo ligar. Devo ter mexido em alguma coisa e o bicho não funciona. Desisto. Amanhã vejo.

Vamos dormir, sugiro. Agora, nove e meia, para você acordar às quatro e querer ir para o computador? Desisto, deixo em qualquer canal, pego o iPad e vou jogar Paciência, que é o que preciso, e muita.

Finalmente, dez e meia, vamos dormir. Já tinha ligado o ar condicionado, e um friozinho agradável nos recebe. “Você puxou o lençol todo! Não, não puxei. Se enrole direito”. “Não consigo dormir, dormi mal. Eu também. Deve ser da idade”. Já são cinco da manhã, ainda muito cedo, pois geralmente nos levantamos às seis. Mas, estou com essa crônica na cabeça e não quero perdê-la.

Me levanto devagarinho. Ela sente e diz: “pr’onde você vai?”. Estou sem sono. Vou para o computador. E ela, “você e suas manias”. E eu: “Fique deitada, não tem pressa”.

Haja paciência. Tenho, e muita. E inspiração. Pode até ser infantil, mas felizmente ainda tenho.

Dalton Mello de Andrade Ex-secretário de Educação do RN

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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