A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (9) a 10ª fase da Operação Compliance Zero para apurar indícios de ações coordenadas em redes sociais voltadas a comprometer a credibilidade e a atuação do Banco Central.
Os investigadores também apuram a possível atuação de grupo dedicado à intimidação de jornalistas, ao monitoramento de pessoas ligadas a autoridades e à obtenção indevida de informações sigilosas.
A comparação com uma máfia não é nova, mas ganha força à medida que a análise do material apreendido avança. A impressão predominante entre os investigadores é a de que o esquema funcionava com um grau de profissionalização, quase como uma grande empresa. Havia uma estrutura organizada, com funções claramente definidas, divisão de responsabilidades e uma lógica operacional que lembra a de uma corporação.
Os celulares apreendidos se transformaram em uma “mapa do crime” dessa engrenagem. O conteúdo encontrado teria permitido aos investigadores reconstruir diferentes frentes de atuação e até identificar planos que nem chegaram a ser concluídos.
Esse avanço ajuda a explicar a rejeição, por duas vezes, da proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro.
A avaliação de investigadores ouvidos pelo blog é que, nas duas ocasiões, o entendimento era de que as informações oferecidas não acrescentavam elementos relevantes ao que já havia sido descoberto. Mais do que isso: os investigadores consideraram que o empresário não assumia responsabilidade pelos fatos investigados nem reconhecia a existência de crimes.
A comparação feita por integrantes da apuração remete a outras grandes investigações do país, como a Lava Jato. O argumento é que o material já reunido pelos órgãos de investigação seria suficientemente detalhado para permitir o avanço das apurações sem depender da colaboração do investigado.
Por isso, a delação premiada, ao menos neste momento, parece ser improvável. Embora a defesa de Vorcaro continue buscando alternativas para reabrir essa possibilidade, a avaliação predominante é que esse caminho está praticamente fechado.
Fonte: Blog da Andréia Sadi/G1
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