O livro já está na lua. Quando os americanos alunissaram, firmaram a sua bandeira e lá deixaram o mais poderoso instrumento da humanidade: um livro. É uma pequenina Bíblia, uma polegada, apenas.

A Bíblia faz parte da vida de dois bilhões de cristãos: católicos, protestantes, anglicanos, ortodoxos e de muitas outras mutações religiosas. Ela é a base da vida de todo um povo, o judeu.

O Corão, que também reconhece a Bíblia, determina a vida de centenas de milhões de mulçumanos em toda a terra. Todas as religiões são praticadas e difundidas com base na memória dos livros.

O comando do livro também é exercido por não religiosos. Assim, o Capital de Karl Marx ainda orienta os governos da Coreia do Norte, China, Cuba e de outros povos menos ortodoxos.

Alguns gênios da humanidade não escreveram livros. Jesus escreveu na areia, registro fadado a logo desaparecer. Graças a Deus, os seus biógrafos registraram os fatos básicos da sua vivência e sabedoria, Mateus, Marcos, Lucas e João. Principalmente São Paulo estabeleceu a sua doutrina. Sócrates confiou essa tarefa a Platão. Buda a um sem número de seguidores.

O livro é essência da escola. De toda a pedagogia, palavra que vem do grego paidos (criança) e agogia (conduzir). Do jardim de infância à Universidade. Nele se contém a filosofia, a ciência, a arte, a poesia, a tecnologia. Tudo o que o engenho humano produziu. O saber duradouro que faz o desenvolvimento da humanidade.

No mínimo, esse notável instrumento do saber tem marcante cumplicidade com os acontecimentos. Agora, mais do que nunca, com a internet conduzindo a vida planetária, pela forma digital. Não é apenas através do papel, mas do reading book.

Devemos reconhecer que a má interpretação de livros tem ocasionado os maiores desastres humanos. A Bíblia foi responsabilizada pela Inquisição. O estalinismo assassinou (10?) milhões de seres humanos. Semelhantemente a Mein Kampf de Hitler (6?) milhões foram mortos.

Do outro lado, há autores de livros que são ícones de seus países, modelos de genialidade. Lembremo-nos de Shakespeare (Inglaterra), Cervantes (Espanha), Victor Hugo (França), Goethe (Alemanha), Tolstoi (Rússia), Camões (Portugal). Nem sempre esses escritores são cópias intelectuais de seus respectivos países, são universais. Assim, Jorge Luís Borges na Argentina ou Machado de Assis no Brasil, Pablo Neruda no Chile.

A Academia Norte-rio-grandense de Letras sempre reconheceu a importância do livro, na exigência de publicações para candidatura a seus membros. A própria construção de sua sede, obra do notável presidente Manoel Rodrigues de Melo, obedece, na sua fachada, à inspiração livresca. Nenhuma cidade do Brasil pode ser comparada a Mossoró (viva Vingt-un!), na valorização do livro regional. Por isso, há muito tempo propomos que a cidade faça um Monumento ao Livro. E acreditamos que um dia este sonho será realidade.

Neste dia, apenas anotamos um pouco da glória e o poder do livro.

Diógenes da Cunha Lima – Advogado, Professor, Poeta, Escritor, Presidente da Academia Norte-riograndense de Letras    diogenes@dcl.adv.br 

 

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