O Rio Grande do Norte registrou uma média de 51 atendimentos hospitalares por dia em decorrência de acidentes de trânsito entre maio de 2025 e julho de 2026. Nesse período de 15 meses, 64% das vítimas eram motociclistas, segundo levantamento do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Ao todo, foram registrados 22.478 atendimentos na rede hospitalar potiguar. Os procedimentos custaram R$ 6,36 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS). Ao todo, foram registrados 182 óbitos intra-hospitalares no total, o que representa uma taxa de letalidade geral de 0,81%.
O relatório aponta que cerca de 30,6% dos pacientes precisaram ser internados, enquanto 843 pessoas (3,75%) ocuparam leitos de UTI. Os pesquisadores destacam ainda que os casos mais graves podem ultrapassar R$ 10,5 mil em custos por atendimento.
No período analisado, as cidades que mais registraram atendimentos foram:Natal (5.488); Mossoró (4.317); e Pau dos Ferros (544).
O estudo aponta que o trauma provocado pelos acidentes deixou de representar episódios isolados e passou a exercer pressão constante sobre os hospitais públicos, com ocupação de leitos, equipes e recursos.
O levantamento mostra que o perfil predominante das vítimas é de homens (71%), principalmente entre 20 e 39 anos, faixa etária que representa metade dos atendimentos. Os motociclistas respondem por 64% dos casos analisados.
Os pesquisadores também chamam atenção para um dado relacionado à segurança. Cerca de 34% das vítimas chegaram aos hospitais sem qualquer equipamento de proteção, enquanto o uso de capacete foi registrado em pouco mais da metade dos atendimentos envolvendo motociclistas.
Embora os motociclistas representem o maior volume de atendimentos, o estudo aponta que pedestres apresentam a maior letalidade proporcional.
Enquanto a taxa de mortalidade entre motociclistas foi de 0,72%, entre pedestres ela chegou a 3,51%, quase cinco vezes maior. Os pedestres também registraram as maiores taxas de internação e de necessidade de UTI.
Outro grupo considerado mais vulnerável é o dos idosos. Pacientes com 70 anos ou mais tiveram a maior taxa de óbitos (4,28%) e a maior necessidade de tratamento intensivo (7,45%).
Os acidentes também seguem um padrão ao longo da semana. Os pesquisadores verificaram que cerca de 35% de toda a demanda ocorre aos sábados e domingos.
O domingo apresentou a maior média diária, com 67,7 pacientes, seguido pelo sábado, com 60,2. Os meses de junho, impulsionado pelas festas juninas, e dezembro, devido ao aumento do fluxo de turistas e das festas de fim de ano, registram os maiores picos de atendimentos.
O relatório mostra ainda uma forte concentração dos atendimentos em apenas três unidades de referência: o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, o Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, e o Hospital Regional Cleodon Carlos Andrade, em Pau dos Ferros.
Juntos, eles responderam por 98,34% dos atendimentos de trauma no estado durante o período analisado. Natal absorve parte significativa dos pacientes da Região Metropolitana. Veja o detalhamento abaixo:
Fonte: G1RN
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