DESNUTRIÇÃO ENERGÉTICO PROTÉICA EM ONCOLOGIA – Ruana Raiza da Silva

DESNUTRIÇÃO ENERGÉTICO PROTÉICA EM ONCOLOGIA –

A desnutrição energético-protéica (DEP) é observada com frequência em crianças com câncer de alto grau de malignidade. Nas neoplasias disseminadas, chega a alcançar até 50% dos casos, estando mais associada a determinadas condições, que dependem do tipo, localização e malignidade do tumor, estágio da doença e tipo de tratamento. Atualmente, sabe-se que há fatores relacionados ao tratamento, os quais, durante a terapia, determinam o risco nutricional nas crianças e adolescentes com câncer. Tais fatores, têm papel importante na etiologia da desnutrição dos pacientes com câncer, e incluem a redução da ingestão alimentar, assim como as alterações no gasto energético e na absorção e metabolismo de nutrientes, além de outras complicações, como toxicidade oral e gastrintestinal, nefrotoxicidade e infecções.

As modalidades terapêuticas mais agressivas, como grandes procedimentos cirúrgicos, a frequência dos ciclos de quimioterapia e a radioterapia de grandes áreas, provocam o desenvolvimento da DEP, pois além de complicações, tais como dor, febre, infecções frequentes ou graves, causam a redução do apetite e aumentam o requerimento energético, agravando o estado de desnutrição. A DEP ocorre com maior frequência entre crianças com tumores sólidos em estágios avançados, quando comparadas às crianças com doença localizada ou com leucemia. O maior risco para desnutrição também está ligado ao diagnóstico ou durante o tratamento, está associado aos tumores gastrintestinais e à terapia muito agressiva.

No setor de nutrição da instituição Casa Durval Paiva a avaliação do paciente e feita de acordo com os parâmetros de anamnese geral (tais como: idade, diagnóstico do tumor e outros diagnósticos) e do exame clínico-nutricional, o qual incluiu avaliação antropométrica (peso e estatura), de acordo com a metodologia proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS o escore-Z de peso para estatura (P/E) e estatura para idade (E/I).

Atualmente, os atendimentos na área de nutrição em hospitais e em nossa instituição, permitem que a intervenção nutricional seja efetuada precocemente e, também por isso, os dados de desnutrição tendem a ser mais baixos. A avaliação após a terapia nutricional, por meio de suplementos orais, normalmente demonstra a recuperação do estado nutricional de crianças e adolescentes com câncer, permitindo o restabelecimento da terapia antineoplásica.

Sendo assim, não resta dúvidas de que o diagnóstico e a intervenção nutricional precoces devem ser metas prioritárias das equipes que tratam pacientes com câncer, na tentativa de solucionar, pelo menos parte do problema, a curto prazo.

 

 

Ruana Raiza da Silva – Nutricionista da Casa Durval Paiva, CRN-6:17898

 

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