CURTAS E BOAS – Berilo de Castro

 

A CARONA DE JOÃO – 

Por volta do ano de 1965, estudante de Medicina, quando trafegava com minha lambreta, uma LI de cor azul, passando em frente ao Estádio Juvenal Lamartine, com destino ao Hospital das Clínicas, sou parado por um pedido de carona. O pedinte: o meu caro e generoso amigo, pessoa super querida da cidade: o presidente da Federação de Futebol, João Machado (João Cláudio de Vasconcelos Machado – 1914-1976).

– Berilo, me dê uma carona até a altura da Maternidade Januário Cicco!

– Pois não, João!

 Ao mesmo tempo, me veio a preocupação: tem espaço para caber tanta bagagem? Fiquei curioso e duvidoso; conhecedor que era da sua companheira, estimada e volumosa hérnia escrotal. Percebendo a minha preocupação, João falou: não esquente! E em um movimento rápido e mágico, levantou os “sacos” e sentou tranquilamente na garupa da lambreta e mandou tocar para frente.    ​

Não ficou nada confortável um grosso, pesado e volumoso encosto quente fazendo pressão o tempo todo nas minhas costas. Ainda bem que o percurso foi curtíssimo.

COQUEIRO, O TREINADOR – 

Em épocas passadas, o nosso futebol contava com times que, apesar de simples/pequenos, até hoje são lembrados com muita saudade e carinho. Um deles é o Clube Atlético Potiguar (CAP), rubro-negro, uma homenagem as cores do Sport, clube náutico da cidade.

O Clube pertencia ao imortal esportista João Cláudio de Vasconcelos Machado (João Machado –1914-1976).

Dos seus muitos treinadores, um ficou na história do time de João: a figura folclórica do ex-jogador da equipe Riachuelo Atlético Clube (RAC), de nome Coqueiro: ex-marinheiro, tatuado e cheio de gírias.

Marcou época na equipe, quando o seu time ficou conhecido como o “Moleque Travesso” do campeonato da cidade, devido aos bons resultados obtidos contra as grandes equipes da cidade.

Não era um grande estrategista de futebol, porém, usava muito da sua “psicologia de marinha”. Lembro-me de duas passagens do versátil treinador: o uso permanente de uma pequena bolsa preta de mão, que sempre conduzia debaixo do braço; dizia ele que era o guarda “mio” para alimentar os “meninos” antes do jogo, para dar mais força e sustança durante as partidas (e como dava!). A outra era quando tinha que substituir por contusão um dos seus bons atletas por um outro meia boca: olhava com desdém para o jogador reserva e dizia: prepara para entrar, vai tu, só tem tu mesmo!

Que estímulo! Grande Coqueiro!

Berilo de CastroMédico e escritor

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

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  • Só uma LI aguentava tal carona pois a Vespa ou LD não suportava kkkk. Esqueceu de comentar porque só batia escanteio de bico, e sequestrava as melancias de Tio Apolonio da Sapataria Elite e Tia Nalva ainda viva graças a Deus . Também tinha uma LI , vendi a Marcos Tassino nosso colega.

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