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Comércio perdeu 400 mil postos de trabalho e 40 mil empresas em 2015

O comércio brasileiro perdeu cerca de 400 mil postos de trabalho entre 2014 e 2015. No mesmo período, houve redução de aproximadamente 40 mil empresas do segmento comercial no país. É o que aponta a Pesquisa Anual do Comércio (PAC), divulgada nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a pesquisa, o comércio empregou em 2015 10,3 milhões de trabalhadores – uma redução de 3,7% em relação ao total ocupado no setor no ano anterior (10,7 milhões). A maior perda foi observada no segmento do comércio varejista, com perda de 4,2% no número de pessoal ocupado.

O atacado perdeu 2,3% do pessoal ocupado, sendo que o varejo foi o segmento que concentrou a maior proporção da força de trabalho do comércio: 73,5%, mais de 7,5 milhões de pessoas.

Já o número de empresas comerciais caiu de 1,673 milhão em 2014 para 1,573 milhão em 2015 (-2,5%).

A receita operacional líquida do comércio em 2015 foi de R$ 3,1 bilhões. Em termos reais, ou seja, descontada a inflação do período, ela apresentou estabilidade em relação a 2014, com variação de -0,5%, conforme destacou o IBGE.

Já o valor de salários, retiradas e outras remunerações do setor teve expansão de 7,44%, passando de R$ 192 bilhões em 2014 para 206 bilhões em 2015. O valor adicionado bruto, que é a diferença entre o valor de produção e o consumo intermediário absorvido, aumentou 4,13%, saltando de R$ 528 bilhões para R$ 550 bilhões no período analisado.

O IBGE ressaltou que 2015 pode ser considerado o ano em que a crise econômica estava efetivamente instaurada no país. Assim, a conjuntura econômica teve relação direta com os resultados apresentados pelo comércio naquele ano.

“O comércio é impactado por variáveis que determinam o comportamento dos consumidores em relação a quanto da sua renda será direcionada para consumo. Com a restrição de crédito e redução da renda, a confiança do consumidor diminui, provocando também a diminuição do consumo das famílias e de algumas atividades do comércio”, apontou o IBGE.

Na PAC, o IBGE apresenta o comércio dividido em três segmentos: Comércio de veículos, peças e motocicletas, Comércio por atacado e Comércio Varejistas. Entre 2014 e 2015, o primeiro foi o que perdeu maior participação no setor, segundo a pesquisa.

A receita operacional líquida do Comércio de veículos, peças e motocicletas caiu de R$ 349 bilhões em 2014 para R$ 324 bilhões em 2015. Já o valor adicionado bruto do segmento passou de R$ 51,3 bilhões para R$ 49 bilhões no mesmo período.

O número de empresas do segmento também registrou queda, passando de 145 milhões para 143 milhões neste intervalo. Isso refletiu diretamente no número de pessoal ocupado, que foi reduzido de 946 mil trabalhadores em 2014 para 906 mil.

Conforme dados divulgados pela Fenderação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), entidade que representa os concessionários, em 2015 a venda de veículos apresentou queda de 26,55% – foi o terceiro ano seguido de baixa nas vendas.

“O setor de veículos é muito influenciado pela renda, pelo crédito e pelo emprego. Com a retirada de alguns incentivos, como a isenção do IPI, do governo de 2015 para cá, a gente pode identificar essa queda mais acentuada”, apontou Danielle de Oliveira, gerente da pesquisa.

O setor atacadista aumentou sua receita operacional líquida e seu valor adicionado bruto neste mesmo período – respectivamente de R$ 1,3 trilhões para R$ 1,4 trilhões e de R$ 193 bilhões para R$ 202 bilhões. O pessoal ocupado no segmento se manteve estável, em cerca de 1,9 milhão de postos de trabalho. Já o número de empresas aumentou de 196 milhões para 197 milhões.

Cenário semelhante ocorreu no setor varejista, que ampliou sua receita operacional líquida nos mesmos valores que o atacadista e registrou aumento de seu valor adicionado bruto de R$ 284 bilhões para R$ 299 bilhões. Já os números de pessoal ocupado e do total de empresas do segmento apresentaram queda no período – respectivamente de 7,9 milhões para 7,5 milhões e de 1,3 milhões para 1,2 milhões.

No comparativo dos dados de 2015 com 2007, quando teve início a atual série histórica da PAC, o setor de veículos foi o único dentre os três que perdeu participação na receita operacional líquida do comércio.

Em ambos os períodos, o setor atacadista foi o que respondeu pela maior parcela da receita operacional líquida do comércio. Segundo o IBGE, isso se deve “à presença de empresas de grande porte em relação à mão de obra e à geração de receita, as quais contam com elevado volume de vendas.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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