Após três dias de julgamento, o comerciante Serafim Crisóstomo Júnior foi condenado na terça-feira (28) em júri popular a 18 anos e sete meses de prisão pela morte da então namorada Josierica da Rocha Alves, de 23 anos.
O crime aconteceu na madrugada de 5 de junho de 2019 no município de Monte Alegre, Região Metropolitana de Natal.
O réu foi condenado a pena máxima por feminicídio – em um homicídio duplamente qualificado -, fraude processual – por ter mudado a cena do crime para dificultar a investigação – e posse ilegal de arma de fogo.
“Ele mobilizou meios e fundos. Criou obstáculos no local do crime, conversou com testemunhas, colocou a família pra conversar com testemunhas, trouxe dois presos pra depor em juízo”, disse o assistente de acusação Fernandes Braga. “Foi feito justiça. Não se esperava uma outra coisa”.
O casal chegava em casa, quando houve uma troca de tiros entre criminosos e Serafim Crisóstomo. Josierica havia descido do carro para abrir o portão da residência e foi atingida na cabeça.
Os exames periciais comprovaram que o tiro que matou a universitária de 23 anos partiu da arma do então namorado. E que isso não teria sido por acaso, já que as investigações da Polícia Civil apontaram que Serafim forjou o assalto para matá-la.
O comerciante foi detido 48 dias depois do crime – em 23 de julho de 2019 – e seguiu preso até o julgamento. Ele chegou a ir ao velório e à missa de sétimo dia de Josierica, segundo contaram os familiares da jovem.
O julgamento teve início na segunda-feira (26) e contou com mais de 30 depoimentos no Fórum da Comarca de Monte Alegre. O júri popular foi formado com cinco mulheres e dois homens. A decisão foi anunciada pela juíza Ana Paula dos Santos no fim da tarde desta quarta-feira (28).
O caso movimentou a cidade. A rua que dá acesso ao fórum precisou ser fechada por conta das manifestações das famílias envolvidas e de populares do município de aproximadamente 22 mil habitantes.
O réu depôs na terça-feira (27) e mudou a versão que apresentava até então. Serafim Crisóstomo disse no julgamento que cinco criminosos haviam invadido a residência deles – a versão anterior, em depoimento à polícia, era de dois.
Além disso, o comerciante disse que atirou algumas vezes e não apenas uma, mudando também a versão de que havia feito apenas um disparo.
No entanto, ele manteve a posição de negar as acusações de que haveria forjado o assalto e de que teria atirado contra a então namorada para matá-la.
Fonte: G1RN
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