Valério Mesquita*

Nada tem garantia nem durabilidade. Principalmente no que tange aos direitos adquiridos e aos fundos públicos. Tudo está aberto ao desrespeito, ao saque, ao assalto organizado. O Estado está falido e não quer reconhecer. A cada dia mais avança no que não lhe pertence em maior proporção. Concede planos salariais como se vivesse na plenitude econômica. Exercita a vaidade e a hipocrisia em vez da humildade de confessar de que tudo está ruim e de mal a pior. O Fundo Previdenciário está se esgotando e agora outros estão ameaçados. Não há discussão criteriosa dos órgãos judiciais e do controle de contas sobre o uso e abuso desses fundos. Enquanto no governo federal o tempo está fechado para brigadeiro e almirante, exige sacrifícios da bolsa popular para cobrir os rombos da má gestão, o daqui insiste na alquimia de administrar com o fundo alheio.

Recorde-se que a má gestão pela qual Dilma padece provém do ineficiente planejamento econômico de Guido Mantega e Luiz Inácio, além dos escândalos financeiros. Toda vez que este diagnóstico é constatado, os porta-vozes oficiais atribuem logo a culpa a FHC. Aí cabe perguntar: como é que se explica o silêncio e a omissão dos órgãos responsáveis, fiscalizadores, durante os oito anos passados de Lula e mais quatro de Rousseff? Onde estavam nesses doze anos: a Procuradoria da República, a Advocacia Geral da União, o Ministério Público Federal e o próprio TCU?

Exigir que tal iniciativa partisse do Congresso Nacional (leia-se a Oposição, também), isso de nada valeria. Até porque muitos figurões das duas Casas foram igualmente envolvidos!

Voltando ao nosso Rio Grande do Norte, que atravessa no sertão uma seca braba e onde exauridos se encontram os principais reservatórios que abastecem as principais cidades e as pequenas também, chamo a atenção para as clarividentes ponderações suscitadas na imprensa pelo experiente seridoense Manoel de Medeiros Brito, dias passados. Os problemas da saúde pública, da segurança e da educação, são outros gigantes tratados com medidas paliativas, pois os recursos federais estão contingenciados e o governo arrecada menos que a despesa da máquina.

E a cultura? Não falo sobre o que teima em existir. No Rio Grande do Norte ela está no volume morto. O Instituto Histórico e Geográfico dispunha de um empenho constituído de emendas parlamentares para ser efetuado como restos a pagar do governo passado, no atual exercício financeiro, mas foi impiedosamente cancelado. Como estamos falando de surrupiar fundos, não é surpresa declarar que podem sumir valores menores quanto mais aqueles estratosféricos? Para onde caminham os governantes? Não sei. A crise é grande. E a luta também. A cada minuto surge um fato grave. O tropel de reivindicações é ensurdecedor. A paisagem é vaga, medíocre e vazia. Tudo vai depender do material e do dono da coleira dos gastos, porque ninguém sabe o dia de amanhã. Na última eleição não vi lideres novos surgirem no pedaço. Uns envelheceram e outros envileceram. Na lápide de qualquer cemitério o jogo do poder político jamais deixará de ser trágico e cômico. Nem sempre a esperança vem da paranóia.

Valério Mesquita* – Escritor e Presidente do IHGRN – Mesquita.valerio@gmail.com

Ponto de Vista

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