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‘Ciguatera’: Sobe para 13 o número de pacientes com suspeita de intoxicação após consumo de peixe em Natal

Duas pessoas foram internadas na Casa de Saúde São Lucas, em Natal, por suspeita de intoxicação — Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi

Subiu para 13 o número de pessoas com suspeita de intoxicação após o consumo de peixe em um restaurante em Natal, entre os dias 5 e 6 de maio. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que investiga o caso, confirmou ao portal g1 que a principal suspeita é de ciguatera.

Do total de pessoas que apresentaram sintomas, três precisaram de atendimento hospitalar e duas ficaram internadas, porém já receberam alta.

Segundo José Antônio de Moura, diretor do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS) de Natal, os principais motivos para suspeita de ciguatera são os sintomas neurológicos. Além de diarreia, vômito e dores de cabeça e abdominais, os pacientes apresentaram formigamento e “inversão de calor”.

“Tem que a questão do período de incubação, entre a alimentação e o início dos sintomas, que foi em média 4 horas. Mas o que caracterizou, que nos deu praticamente certeza, é o tipo de pescado e também os sintomas neurológicos que elas tiveram: dormência nos membros superiores, inferiores, e na boca. E a inversão de calor, em que você tem essa sensação de tocar uma coisa fria e sentir como o como se fosse quente”, relatou o diretor.

O peixe suspeito era da espécie Arabaiana. O alimento foi recolhido no restaurante e enviado para o Laboratório Central do Rio Grande do Norte (Lacen), porém as amostras foram enviadas para análise em outra instituição no sul do país, segundo a SMS. A pasta estima que a espera pela resultado poderá ultrapassar 30 dias.

O surto aconteceu em um evento de médicos. De 35 pessoas contactadas, 13 apresentaram sintomas. As amostras de peixe foram recolhidas no restaurante no dia 7.

Alerta

Os casos ocorreram menos de um mês após a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte emitir uma nota técnica orientando profissionais da área sobre a possibilidade de casos de intoxicações por consumo de pescados. Entre as intoxicações, o documento destacava a ciguatera.

A nota técnica publicada no dia 16 de abril apontava que a ciguatera é uma intoxicação alimentar comum em regiões do Mar do Caribe e dos oceanos Pacífico e Índico, “sendo um perigo pouco conhecido no Brasil, apesar da sua ocorrência comum em regiões endêmicas”.

Uma dessas regiões é a Ilha de Fernando de Noronha, no Estado de Pernambuco, e que fica próxima ao Rio Grande do Norte.

Como ocorre a intoxicação

Segundo o documento, a intoxicação nos humanos ocorre em após uma cadeia que começa nos recifes de corais:

  • Ciguatoxinas são toxinas potentes que se originam do Gambierdiscus toxicus, um pequeno organismo marinho que cresce em recifes de corais e ao redor deles.
  • Esses organismos são ingeridos por peixes herbívoros e passam pela cadeia alimentar marinha para os peixes carnívoros.
  • As toxinas chegam aos humanos por meio do consumo desses peixes. Elas são concentradas no fígado, intestinos, ovas e cabeças dos peixes.

 

Segundo a nota, as ciguatoxinas não têm cor, sabor ou cheiro e não podem ser destruídas pelo cozimento ou congelamento convencional. Também não há tratamento específico para a ciguatera

Sintomas

Os sintomas apresentados são divididos em três áreas:

  • Sintomas Gastrointestinais: Começam dentro de pouco minutos ou até aproximadamente 48 horas, com dores abdominais; náuseas; vômitos e diarreias.
  • Manifestações Neurológicas: geralmente duram de alguns dias a várias semanas, mas podem persistir por meses ou até anos. Dentre elas, disestesia paradoxal (inversão térmica); astenia, parestesias; disestesias intensas periorais na boca, faringe, tronco, órgãos genitais, períneo e extremidades; cefaleias; mialgias e/ou cãibras; sabor metálico na boca; fraqueza muscular e visão turva.
  • Alterações cardiovasculares: são transitórias e eventuais, tais como, bradicardia; hipotensão arterial; bloqueio da condução cardíaca ou choque cardiogênico.

 

O tratamento atual consiste basicamente em cuidados sobre o sintomas e de suporte para aliviar sinais clínicos do paciente, como hidratação, medicações para alívio dos sintomas, acompanhamento médico e repouso.

José Antônio de Moura afirmou que a intoxicação não é letal e que não há motivo para pânico da situação, mas orienta a população a evitar o consumo de peixes costeiros na época de meio de ano.

“Isso foi uma fatalidade. O que a gente teria que passar para população é se se ela puder evite consumir, nesse período, esses peixes costeiros. Comer peixe de água profunda seria uma estratégia”, pontuou.

Fonte: G1RN

Ponto de Vista

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