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PKK, grupo nacionalista curdo, anuncia fim da luta armada na Turquia; Erdogan fala de ‘nova era’

Em imagem de arquivo, ativista curdo segura bandeira do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o PKK, durante protestos em Paris no dia 24 de dezembro de 2022 — Foto: Lewis Joly/AP

O Partido dos Trabalhadores Curdo (PKK, na sigla original), grupo nacionalista curdo que luta contra o governo da Turquia e a favor de um estado próprio curdo há 40 anos, anunciou nessa segunda-feira (12) o fim de sua luta armada.

O grupo, que é considerado terrorista pelo governo turco e aliados como os Estados Unidos, fez o anúncio após um congresso interno do partido.

Os curdos representam cerca de 20% da população de 86 milhões da Turquia.

“O 12º Congresso do PKK decidiu dissolver a estrutura organizacional do PKK (…)e encerrar a luta armada”, anunciou o grupo em comunicado. “O PKK cumpriu sua missão histórica” e conduziu “a questão curda a um ponto em que pode ser resolvida por meio de uma política democrática”.

 

Segundo o grupo, as operações militares serão encerradas de forma imediata. Já a entrega das armas dependerá “da resposta e da postura” do governo turco em relação aos direitos dos cidadãos turcos e ao destino de integrantes do PKK.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, elogiou ao iniciativa do grupo e afirmou que o fim da luta armada significa “uma nova era” para seu país.

“Com o terrorismo e a violência completamente eliminados, as portas de uma nova era em todas as áreas serão abertas”, declarou Erdogan. “Os vencedores serão o nosso povo e o nosso país, e, na verdade, todos os nossos irmãos na nossa região”.

 

Apesar de ainda realizar atentados e inclusive controlar partes da Síria, o PKK começou a debater seu desmantelamento em resposta a um apelo feito em fevereiro para a dissolução de seu líder Abdullah Ocalan, preso em uma ilha ao sul de Istambul desde 1999.

Em Diyarbakir, grande cidade de maioria curda no sudeste, a notícia foi recebida com satisfação, mas sem muita alegria, por uma população cansada de violência e falsas esperanças.

“Queremos que este processo continue. Não devem enganar o povo como fizeram da última vez”, declarou desconfiado Fahri Savas, trabalhador de uma fábrica de 60 anos.

Em sua declaração, o PKK disse que a decisão “fornece uma base sólida para uma paz duradoura e uma solução democrática”, e enfatizou que é “essencial” que o Parlamento turco “desempenhe seu papel com responsabilidade histórica”.

“Medidas terão que ser tomadas para institucionalizar a democracia e o estado de direito como garantia de paz social”, escreveu no X o presidente do partido opositor CHP, Özgür Özel.

A UE considerou que “o início de um processo de paz confiável (…) seria um passo positivo em direção a uma solução pacífica e sustentável” na Turquia, e pediu a todas as partes envolvidas para que trabalhassem por isso.

Ponto de Vista

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