CHINIZAÇÃO –
Polarização é definida como a divisão de um sistema, grupo ou sociedade em dois lados opostos e extremos. O termo muda de sentido conforme a área de estudo. Tratemos, pois, da polarização política a qual vivenciamos hoje no Brasil.
As consequências da polarização política não são nada agradáveis para a nação porque induz a divisão da sociedade em dois blocos contrários, elimina o diálogo entre os grupos, não dá espaço para ideias moderadas do centro e transforma o adversário político em inimigo.
Embora tenha se posicionado ativamente nos grandes conflitos mundiais o Brasil tem uma longa tradição de respeito à soberania de outros países e de neutralidade em disputas internacionais o que permite que mantenha boas relações com os seus pares e se beneficie disso.
Adota um estilo de diplomacia pragmática, que faz sentido em tempos de paz e ajuda o país a se projetar como uma potência média capaz de navegar sem grandes crises entre as maiores potências globais. Tal postura nos concedeu a honraria da abertura dos discursos das sessões das Assembleias Gerais da ONU, desde 1955.
O reconhecimento mundial se consolidou, quando Oswaldo Aranha ao presidir a segunda Assembleia Geral, em 1947, teve papel decisivo para a resolução que previa a partilha da Palestina e a criação do Estado de Israel.
Enquanto o Brasil privilegiou a posição de centro-direita, defendendo a economia de mercado e a livre iniciativa, rejeitando o radicalismo e adotando posturas mais flexíveis ou moderadas em costumes sociais e na ordem institucional deu-se bem.
Nos acostumamos a sentir a proximidade com todas as potências da América do Sul, Central e Europa. No instante em que esse cenário muda com a esquerda dando as cartas do jogo, fica difícil engolir a presença desses países marcando presença comercial de forma agressiva no nosso território.
Comecemos pelo comércio automotivo. A frota brasileira de automóveis e caminhões importados era inteiramente norte-americana. Víamos circulando por nossas estradas quase que exclusivamente veículos da marca Ford, Chevrolet e Willys Overland.
Hoje, prevalecem marcas de fabricação chinesa, dentre as quais BYD, Geely, Chery, GWM e até o Tiggo da Caoa tem a tecnologia chinesa. Mas não se prende apenas a mobilidade, a penetração da China abrange setores estratégicos como energia elétrica, infraestrutura, mineração e tecnologia.
Gigantes da indústria chinesa lideram dezenas de projetos de grande porte e, ao que tudo indica, continuarão a marcar presença em nosso território sem qualquer estimativa de prazo para interromper as atividades. O que mais impressiona foi a rapidez como tudo isso ocorreu. Num piscar de olhos, ousamos afirmar.
Outro fato curioso é que ninguém vê nas ruas indivíduos de olhos puxados descendentes da etnia Han, da qual pertence 92% da população da China. Certamente nessas fábricas somente trabalham chineses, mas eles não são vistos nem sentidos. O motivo de tal procedimento é uma incógnita.
Vivenciamos uma chinização ampla e sem precedentes, que não percebemos o quanto ela já se alastrou por nosso território. Eu prefiro continuar ouvindo pelas ruas nomes como John, Paul e Mary, em vez de Wei, Ming e Hua. Tenho dito!
José Narcelio Marques Sousa é engenheiro civil.
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