O Brasil já viveu inúmeros modelos políticos. Sem irmos muito longe, para a análise não ficar cansativa, foquemos nosso olhar no período militar até os dias atuais. De 1964 até os últimos dias do governo de João Figueiredo os militares, no poder, criaram um sistema tripartite de gestão, onde imperava a convivência entre os políticos, os próprios militares e os tecnocratas. Era um sistema baloiçante – em português do tempo dos nossos avós. Em certas ocasiões dominavam a cena os políticos. Em outros momentos os espaços eram ocupados pelos tecnocratas. Em ambas as situações os militares estavam sempre por trás dando as regras, definindo, optando pela decisão final. O país aprendeu, a partir daí, a conviver com o noticiário badalando sempre a presença de um czar, de uma liderança vinda de um dos três mundos, trazendo a solução para os problemas nacionais.

                         É desse tempo, por exemplo, o grande fascínio que exerceu sobre os detentores do poder a figura poderosa de Delfim Neto – na qualidade de tecnocrata. Para entronizá-lo no poder, com ampla liberdade para pintar e bordar em torno das questões econômicas, os militares distribuíam pela imprensa longas considerações e argumentos sobre a vantagem de um técnico exercer o comando da economia ao invés de um político. Com essa poderosa couraça em torno de si – e dos “delfim boys” que normalmente o acompanhavam – Delfim Neto deu pitaco e opinião, durante um longo período, em todos os assuntos que demandavam a agenda política, econômica e social daquele tempo. Só não se responsabilizou pela escalação da seleção brasileira de futebol porque não quis. Nesse caso prevaleceu a vontade do mundo militar, com a solução insossa, inodora e incolor representada por Cláudio Coutinho.

                          Quem não se lembra do General Gollbery, com sua marcante onipresença ditando os rumos da política, do planejamento, do rumo que o país deveria seguir? Teve também a influência de políticos poderosos, como Magalhães Pinto, Dinarte Mariz, José Sarney, Célio Borja, Petrônio Portela, Antônio Carlos Magalhães, Paulo Maluf (até ele) e outros que agora não vêm à lembrança. Foi um período no qual a diretriz nacional se dividiu entre a visão dos políticos, dos militares e dos tecnocratas. Bom, depois veio a redemocratização, eleições diretas e a grande conclusão: militar no poder nunca mais! Tecnocratas mandando no país? Nem pensar! A visão política dos homens que sabiam disputar o voto do eleitor, que empolgavam as massas com seus discursos, que tinham na essência do seu conhecimento a solução dos problemas nacionais – pelo menos era assim que se dizia – passou a prevalecer.

                           Mais: somente aos políticos cabia a missão de levar o Brasil ao seu grandioso destino de futura potência mundial. A partir daí vieram, como se sabe, Tancredo, Sarney, Itamar, Collor, Fernando Henrique, Lula e agora Dilma. Com pequenas exceções, durante as quais o país viveu fugazes momentos de normalidade, nenhum dos tais conseguiu passar ao brasileiro a sensação de desenvolvimento tão esperada. E agora? Os militares não acertaram; os tecnocratas nos legaram uma enorme dívida pública; os políticos nos jogam, de tempos em tempos, em caldeirões de escândalo, corrupção e roubalheira. Chamemos, então, os marcianos? A saída está – mais uma vez – com o eleitor. Renovando. Fazendo prevalecer a sua vontade, através da qual poderão surgir novas lideranças. E um bom momento vem aí: as eleições de 5 de outubro. Os marcianos?  Ficam para outra ocasião. Vamos renovar?

Públio José – jornalista (publiojose@gmail.com)

Ponto de Vista

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