CARTA PARA MEU NETO –
Meu querido e adolescente neto Miguel, quando você tiver interesse e estiver lendo esta “carta” não sei se estarei junto. Quando digo junto, quero dizer vivo. Talvez eu sobreviva por mais tempo, porque também tenho alguns “macetes”, os artifícios que aprendemos a usar para resolver as situações mais difíceis da vida.
No seu futuro a vida será outra, um pouco diferente de hoje. Diferente do mundo em que o desenvolvimento tecnológico ainda causa espanto aos simplórios como eu, temerosos de imaginar o que ainda está para acontecer. Particularmente, temo que o mundo será cada vez mais violento e competitivo e que você precisará de doses extras de preparo, conhecimento, disposição e honestidade para enfrentá-lo. Mas espero que você seja forte. Esta será uma qualidade cada vez mais importante e eficaz, como já é nos dias de hoje.
A beleza também ajudará, mas como você será – porque hoje é – uma pessoa bonita, não deve se preocupar com isto; e não deve dar muito valor a esta vantagem que já possui. Mas sem vaidade, certo? Porque – embora não pareça – ela prejudica o vaidoso e humilha as outras pessoas. E você não humilhará ninguém, será um homem bom. Atenção! Veja como utilizar essa qualidade – homem bom.
Quando adolescente, eu decidi que seria uma pessoa boa, disposto a ajudar os semelhantes, ser educado, gentil e, sobretudo, generoso. Pois eu lhe digo que ser educado, gentil e generoso é bom, é positivo, mas tem limites. Poucas pessoas são dignas da sua liberalidade e a maioria certamente vai querer sempre mais do que você pode dar.
Os limites da generosidade estão definidos na Bíblia. É o significado do dízimo, ou seja, a parte que lhe cabe – espontaneamente – doar corresponde a dez por cento! E quando o profeta João Batista exortou os homens a “… dar uma de suas duas túnicas”, ele quis dizer que se você não precisa de duas ofereça uma delas.
Gentileza e educação também têm lugar para sua aplicação. Não cabem, por exemplo, diante da arrogância e da injustiça. Contra isto tenha sempre uma voz dura e use da veemência que a sua força lhe permitir, porque você só deve encarar um combate até o limite das suas possibilidades. Ninguém pode ser exigido acima da própria capacidade. Isto gera desequilíbrio e prejudica o efeito da ação.
Preste atenção nas guerras que você for chamado a enfrentar. Nem todas compensam ou são justas. Por exemplo, as guerras entre povos e países. Por que enfrentar em armas as outras nações? Nada justifica essa loucura. Os homens são iguais, todas as pessoas são iguais e merecem buscar o bem estar e a felicidade. Combater o que consideramos injusto não nos permite afrontar qualquer nação, raça, povo ou cultura.
A maioria das guerras é fruto da megalomania dos poderosos, servem aos seus interesses e propósitos. Somos exortados a defender valores gerados pela ganância e pelos delírios de poder dos reis e governantes. Só lute pelo que você acredita serem bens sociais, morais ou espirituais dignos de sustento e defesa. Não custa muito identificá-los; eles estão sempre na contramão das pregações e arroubos de líderes arrogantes e na verborreia dos espertos que enganam os incautos com promessas de recompensas ou ameaça de castigos. Abra os olhos, porque nos palcos do mundo tem sempre alguém querendo nos atribuir o papel de idiotas.
Espero somente que, no que lhe couber, seja intransigente na defesa, não só da sua família e dos seus valores individuais, mas principalmente dos até hoje degradados valores de toda a humanidade.
Seu avô não conseguiu. Você conseguirá.
Alberto da Hora – escritor, músico, cantor e regente de corais
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Magnifico sua carta a seu neto Sr. Alberto...engrandeceu e somou muito a minha pessoa como ser humano suas palavras, estava mesmo precisando que alguém me fizesse viajar e lembrar de minha verdadeira essência e aprendizado que meus pais e avós me ensinaram desde pequeno por mais que as vezes seja difícil, não podemos nunca esmorecer. Forte abraço e que Deus proteja sempre nossas famílias.