Carta aberta ao escritor mossoroense Obery Rodrigues.

Francisco de Paula Segundo

Outro dia vi, aqui nestas páginas, o escritor Carlos Alberto Josuá Costa, falando de sua prioridade atual pela leitura de grandes escritores do nosso estado, ao invés dos escritores famosos do mundo afora.

Chamou-me a atenção por haver entre nós uma sintonia de opiniões. Hoje tenho buscado e explorado os nossos escritores que, de tão bons que são, bastam na minha ânsia de leituras, não vendo o interesse velado que havia anteriormente, em ler somente os best sellers.

E aqui começo falando do escritor mossoroense, apaixonado como eu pela terrinha, que nos presenteia com um bom exemplar da boa leitura: estou falando do escritor Obery Rodrigues. Acabo de ler o seu último livro, intitulado Relembranças e Experiências e, da mesma forma dos seus oito livros escritos anteriormente, li numa tacada só.

Impressionaram-me os detalhes e as informações que têm sido uma marca registrada de seus livros: a precisão nos pormenores é fantástica. Alguém já se preocupou em detalhar as expressões dos movimentos das mãos? Pois bem, ele o fez com verdadeira maestria, ao ponto de relacionar pessoas de sua convivência na descrição das formas e expressões que demonstravam quando falavam. E por aí vai.

A simbologia dos nomes, também uma outra preocupação do autor, que na sua perspicácia tornou-se para mim uma curiosidade que merecia a atenção, e o primeiro que fui buscar foi o de Mateus, o grande, que dará nome ao filho que está sendo gerado no ventre de Andréa, minha filha mais velha. Mateus, originado a partir do hebraico Mattiyyah, uma redução do nome Mathathiah, a partir do latim Mataeus, que significa “dom de Deus”, “presente de Deus” ou “dádiva de Deus”. E descobri que se trata realmente de uma grande verdade.

Olha que sensibilidade: Velhas Tardes de Domingo, quem não teve uma tarde dessa na vida? Cada um de nós tivemos uma tarde diferente de domingo, para mim sempre muito frias, mesmo na quentura de Mossoró, só findas quando estou a rezar nas missas de domingo.

O senhor Obery, nos seus quase 92 anos de vida bem vivida, nos ensina que sonhar é uma necessidade, que as músicas são prioridades nas nossas emoções, que a velocidade do tempo nos chama a priorizar os nossos pensamentos bons e que nada nos poderá fazer esquecer.

Obrigado, amigo. Deus lhe dê muito mais tempo para presentear-nos com tantas pérolas que arrefecem o nosso dia a dia.

Francisco de Paula SegundoEmpresário e ex-secretario de Desenvolvimento do RN

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