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Brasil registra saldo negativo de empresas pelo 4º ano consecutivo em 2017, diz IBGE

Pelo quarto ano consecutivo, o Brasil registrou saldo negativo de empresas formais – houve mais empresas fechadas que abertas no país. O levantamento faz parte Demografia das Empresas e Empreendedorismo 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a pesquisa, em 2017 o saldo de empresas – registrado pela diferença entre entradas e saídas – permaneceu negativo, da mesma forma como ocorreu em 2014, 2015 e 2016. Em 2017, as saídas de empresas do mercado totalizaram 699,4 mil e as entradas somaram 676,4 mil. Ou seja, naquele ano o país perdeu um total de 22.932 empresas.

A pesquisa analisa a dinâmica empresarial através de indicadores de entrada, saída, reentrada e sobrevivência das empresas no mercado, pessoal ocupado assalariado, estatísticas das empresas de alto crescimento e gazelas, além de indicadores relativos às unidades locais das empresas e atividades.

De 2014 a 2017, o país perdeu 316,6 mil empresas, segundo o IBGE.

Em 2014, foram 217.687 empresas a menos. Em 2015, 4.984 fecharam as portas. Em 2016, 71.077 empresas deixaram de existir. As 22.932 empresas que passaram a não operar mais em 2017 consolidaram o quarto ano negativo em sequência.

“Os números de 2017 são melhores que os de 2016, mas ainda estão muito aquém dos índices que tínhamos no início da década de 2010, quando o número de empresas que entravam no mercado era muito maior”, explicou a técnica da Coordenação de Cadastro e Classificação, Denise Guichard Freire.

Taxa de sobrevivência após 1 ano foi de 84,8%

A taxa de sobrevivência das empresas ativas no Brasil em 2017 – que estiveram em operação entre 2016 e 2017 – foi de 84,8%, o que representa 3,8 milhões de empresas. Já a taxa de entrada ficou em 15,2% e a de saída, 15,7%. Com isso, o saldo de empresas foi negativo (menos 22,9 mil).

As regiões Sul (86,6%) e o Sudeste (85,0%) registraram as maiores taxas de sobrevivência de empresas, enquanto as maiores taxas de entrada e saída foram observadas nas regiões Norte (19,0% e 18,8%), Centro-Oeste (17,2% e 16,4%) e Nordeste (16,9% e 16,9%).

Eletricidade e gás foi a atividade que apresentou a maior taxa de entrada de empresas no mercado em 2017 (23,3%), enquanto construção registrou a maior taxa de saída (20,8%).

Do total de pessoas ocupadas (38,4 milhões) em 2017, 95,6% estavam nas empresas sobreviventes; 4,4%, nas entrantes e 3,6%, nas que saíram do mercado.

O percentual de pessoal ocupado assalariado masculino foi maior nas empresas sobreviventes (60,9%) do que nas que entraram (57,6%) e nas que saíram (59,5%). Já a participação do pessoal assalariado sem nível superior foi de 85,7% nas empresas sobreviventes, 91,3% nas que entraram no mercado e 92,4% nas que saíram.

6 em cada 10 empresas abertas em 2012 encerraram atividades em 5 anos

A pesquisa mostra também que seis em cada dez companhias abertas em 2012 encerraram suas atividades em 5 anos.

As empresas que nasceram em 2008 tiveram as maiores taxas de sobrevivência num período de cinco anos. Do total de empresas que nasceram em 2008 (558,6 mil), 81,5% sobreviveram até 2009, 70,8% sobreviveram após dois anos, 61,0% após três anos e 47,8% após cinco anos.

Já as menores taxas de sobrevivência foram observadas dentre as empresas que nasceram em 2013: 71,9% sobreviveram após 1 ano, 61,0% após 2 anos, 51,5% após 3 anos e 42,6% após cinco anos.

Número de assalariados

No comparativo com 2016, 2017 registrou um decréscimo de 0,5% no número de empresas que fecharam e de 0,4% tanto no pessoal ocupado total (163 mil) quanto no pessoal ocupado assalariado (134,9 mil).

Na comparação com 2016, as entradas de empresas no mercado foram 4,3% maiores e ocasionaram um acréscimo de pessoal ocupado assalariado de 12,2%. As saídas de empresas, por sua vez, foram 2,8% menores e, no pessoal ocupado assalariado, redução de 7,4%.

Entre as empresas sobreviventes em 2017, quase 60% têm pelo menos uma pessoa assalariada. “Já a maioria das empresas que fecham é formada apenas pelos donos e sócios”, explicou a analista da pesquisa, Denise Guichard.

Empreendedorismo

Em relação ao empreendedorismo, o número de empresas de alto crescimento (20.306) foi o menor da série iniciada em 2008 (30.954), enquanto o maior foi registrado em 2012 (35.206). Entre 2016 e 2017, houve redução do número de empresas de alto crescimento, tanto em termos absolutos (692 empresas) como relativos (3,3%).

As empresas de alto crescimento representavam 0,5% das empresas ativas, 0,8% das empresas com pessoas ocupadas assalariadas e 4,5% das empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas.

A Região Sudeste apresentou a maior concentração de unidades locais e de pessoal ocupado, tanto nas empresas de alto crescimento (49,2% e 50,8%) como nas empresas com 10 ou mais pessoas assalariadas (49,5% e 52,9%).

Do total de empresas de alto crescimento, 11,9% eram as chamadas “gazelas”, que crescem muito e rápido (2.422) – estas empregavam 198,8 mil pessoas assalariadas. A maioria dessas empresas estava na faixa de 10 a 49 assalariados (59,9%). Entre os assalariados, a maior participação era de homens (64,5%) e de pessoas sem nível superior completo (89,7%).

Mobilidade

Em 2016, 38,6% das empresas estavam na faixa de 0 pessoas ocupadas assalariadas; 50,4%, na faixa de 1 a 10; 9,1%, na faixa de 11 a 49; e 1,8%, na faixa de 50 ou mais. Já em 2017, o percentual era: 40,7% (faixa de 0 pessoas ocupadas assalariadas), 47,7% (faixa de 1 a 10), 8,6% (faixa de 11 a 49) e 1,7% (faixa de 50 ou mais).

Com relação à mobilidade das empresas sobreviventes de 2016 para 2017, 86,3% das empresas se mantiveram na faixa de pessoal ocupado assalariado, 5% mudaram para faixa superior e 7,3% caíram para faixa inferior de pessoal assalariado.

Fonte: G1

Ponto de Vista

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