AULA DE ETIQUETA – Ana Luíza Rabelo

AULA DE ETIQUETA –

Alguém com menos de vinte anos sabe o que é isso? Sequer ouviu falar?  Sabe o que se ensinava (ou aprendia, como queira) nessas aulas?

Etiqueta era uma disciplina comum na maioria das escolas e seu principal ponto era mostrar aos alunos como se portar nas várias situações da vida em sociedade. Pode parecer besteira para muitos, principalmente nos dias atuais, mas eu acredito que tais ensinamentos fazem falta. Em jantares, reuniões e até mesmo em festas que frequentamos, somos capazes de observar a ausência de traquejo (ainda se diz isso hoje?).  É verdade que as pessoas, os vocábulos, as situações e as formas de conduzi-las mudam diariamente, mas o bom senso, o respeito e o comportamento condizente com cada momento existem e tais protocolos devem ser considerados.

Naqueles tempos de aulas de etiqueta, nossos principais modelos de conduta eram os dirigentes das nações. Atualmente, “eles” continuam sendo modelo… do que não se deve fazer.

Muitos jovens, sem base e sem rédeas, tratam os mais velhos como coleguinhas da escola. Os princípios básicos da educação (dizer por favor e obrigada, dar assento aos mais velhos, não usar determinadas roupas em determinados locais) foram esquecidos nos baús das nossas avós e “relegados” ao patamar de lendas.

A maior parte daquelas aulas eram, é verdade, sobre coisas que deveriam fazer parte da personalidade das pessoas, pois sabemos que dinheiro se consegue fácil, mas contrariando a máxima, a educação não vem do berço, sendo muitas vezes necessário ensiná-la.

O dinamismo das situações hodiernas e o consequente imediatismo que elas exigem permitem que se sufoque muito da educação formal, porém, certamente, essas características não são cúmplices da epidemia que levou consigo o bom senso e os bons modos.

Por maior que seja nossa pressa, por mais importante que seja nosso tempo (e, com certeza, ele é) palavras de gentileza e atos de brandura não podem ser vistos como perda de tempo. O que eles representam, de fato, são sementes de indulgência, que devemos plantar em todos os caminhos pelos quais passarmos, para que, quando lá voltarmos, possamos sentir seu aroma e apreciar sua beleza. Lembrando que se não estivermos dispostos a fazer isto pelo próximo, que o façamos por nós mesmos, já que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.

 

Ana Luiza Rabelo – Advogada (rabelospencer@ymail.com)

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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