EDUCAÇÃO –
Gostei de entrevista recente da Secretária de Educação, Cláudia Santa Rosa, na TN de dias passados. Não a conheço pessoalmente, mas tenho acompanhado seus escritos. Vê os problemas como eles são e aponta caminhos inteligentes para enfrentá-los. Não me surpreendeu que os problemas que encontrou são os mesmos que encontrei, quarenta anos atrás, quando fui Secretário de Educação no Governo Cortez Pereira.
Consegui reunir um ótimo grupo, de bons profissionais, e tenho certeza que encaminhamos a solução dos vários problemas que encontramos. Com tristeza, vejo que a maioria deles voltou, e não são diferentes dos que enfrentamos então.
Por que isso acontece? Fácil diagnóstico. Absoluta falta de continuidade dos programas iniciados nas administrações anteriores. Poderiam ser revisadas e aprimoradas, mas nunca totalmente esquecidas. É o que geralmente ocorre. Um exemplo simples? Comprei quatrocentos mil cruzeiros (ou cruzeiros novos? eis aí um retrato da falta de continuidade e incerteza de nosso país) de instrumentos musicais. O que pretendíamos com isso? Além de aprimorar o ensino de Música, organizar três grandes bandas, em Natal, Mossoró e Caicó. Cheguei a contratar os maestros, antes mesmo de chegarem os instrumentos, para começar o início da preparação dos alunos.
O que pretendia? Fazer bandas unificadas, aproveitando alunos de diversas escolas, diminuindo a rivalidade e melhorando a integração entre elas. Permitir que os alunos tivessem uma boa formação musical, e dar unidade às suas ações. E levando as bandas de cada cidade a competirem entre si, de forma sadia.
O que aconteceu? Deixei a Secretaria e, algum tempo depois, perguntei sobre as bandas e os instrumentos. A informação que tive foi de que os que me sucederam distribuíram uma corneta para cada escola e um tambor para cada sala de aula. O meu sonho foi desfeito. E as bandas foram para o espaço. E isso aconteceu, e acontece até hoje, com programas muito mais importantes.
No meu tempo, convenhamos, tínhamos realmente professores. Havia uma Associação de Professores racional e com a qual se podia conversar. Hoje, um Sindicato de Trabalhadores em Educação. Não se consideram professores. Radicais, vivem quase todo o tempo em greve e ainda reclamam se o Secretário resolve exigir presença para poder pagar o salário. Altri tempi. Pior, sem dúvida.
A falta de continuidade e os novos trabalhadores em educação contribuem , e muito, para a qualidade, ou falta de qualidade, melhor dizendo, do ensino hoje em dia. Desejo a Secretária muito sucesso e a proteção divina.
Dalton Mello de Andrade – Ex secretário de Educação do RN
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