Valério Mesquita

Jogar para a torcida tem sido o desempenho e o empenho dos governantes. De “bodes expiatórios” os currais estão cheios. Outro lugar comum é dizer e repetir promessas para enrolar a população. Mas piores mesmo são os “puxa sacos” que induzem muitas vezes o governante ao erro, à decisão equivocada e até à mediocridade. Dilma Rousseff, por exemplo, ainda ignora tudo o que aconteceu no seu governo. Todo governante, de presidente à governador e à prefeito, é o responsável por tudo que ocorrer de irregular, ilegal, ilícito, fraudulento, formação de quadrilhas, subornos, propinas, etc. A nenhum pode ser conferido o privilégio de alegar que não sabia, não foi informado, ignorava e por ai vai.

No juramento constitucional, dia da posse, o político promete honestidade, probidade e honradez em nome do povo e no de Deus. Escândalo como o do “lava jato”, o campeão do mundo ocidental e que destruiu uma das maiores empresas petrolíferas do planeta, a responsabilidade recaiu apenas nos funcionários das estatais e nos diretores das empresas e não na pessoa do presidente da república que durante tanto tempo ignorou e fingiu que não sabia de nada. Ocultou. Cito a Bíblia porque a lei dos homens é falha e tardia. Evangelho de Lucas, capítulo 8, versículo 17: “Porque não há coisa oculta que não se manifeste, nem escondida que não haja de vir à luz”. Quem administra a coisa pública é danado para pôr o pecado dos seus tropeços nos outros. É mais nobre, ético e decente aquele que assume a culpa. Feliz é o governante que tem os seus erros expostos, pois somente assim poderá corrigi-los.

Não é prudente silenciar jornalistas porque um dia a casa cai. “De tanto ver triunfar o poder nas mãos dos maus”, (como disse Rui Barbosa), surgiu uma geração nova de brilhantes procuradores de justiça, policiais federais e magistrados todos neste país, que hoje colocam atrás das grades políticos e empresários de alto coturno. O presidente da Odebrecht poderá pegar cem anos de reclusão. Vejam só!

Por outro lado, a vaidade de certos governantes, aparecendo na mídia mais que o necessário, me faz lembrar o personagem Rolando Lero da Escolinha do Professor Raimundo, cujo apelido era também “venham ouvir a voz do vento”. “Quem muito fala, muito erra”, diz o ditado popular. Qualquer semelhança com alguém do mundo político do Rio Grande do Norte é mera coincidência, porque esse dito ou predito, provém da natureza do homem, já afirmava Miguel Mossoró.

Se pudesse parar o tempo, eu o teria feito exatamente no ano dois mil. A primeira quinzena do novo milênio tem relevado na classe política muita bandidagem, mediocridade e improbidade. Os líderes verdadeiros, e não ocasionais, sumiram. No Brasil e no Rio Grande do Norte. O político pode ser uma autoridade hoje. Líder que inspira credibilidade, criatividade, sabedoria, cultura, não se vê mais. Não sou tão pessimista ao ponto de obscurecer o talento, a boa vontade e a dedicação de tantos que militam ainda na vida pública do estado e do país. O voo dos que aqui descrevo é de galináceo e não de condor. E por ser de galináceo não é tão desprimoroso assim ou o quanto se possa imaginar. O importante é ser honesto e não ser ave de rapina. Conheço dezenas de bons políticos. O problema é a desfaçatez. Aquele que se transforma em honrado vilão, ou num corvo de belas penas e que embora seja o próprio demônio, ora o ampara a forma humana. Esse, resumindo, é o animador de auditório, mágico, topa tudo por dinheiro na roleta da sorte.

Valério Mesquita – Escritor – Mesquita.Valério@gmail.com

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