Nos bastidores da ala do Supremo Tribunal Federal (STF) que defende Dias Toffoli, o clima é de forte irritação com o presidente Lula (PT). Ministros relatam que cresceu a percepção de que o Palácio do Planalto estaria deixando — ou até estimulando — que o desgaste político recaia sobre a Corte no contexto da crise envolvendo o ministro e o chamado “caso Master”.
A ala que hoje atua em defesa de Toffoli avalia que o governo tenta se afastar do problema, empurrando o ônus para o STF. Para esse grupo, Lula “lava as mãos” e permite que o Supremo fique sozinho no centro da crise.
Esse sentimento tem unido magistrados. Ministros passaram a se mobilizar para “salvar” Toffoli e defender uma saída institucional: que o caso desça para a primeira instância, mas que ele permaneça no âmbito do Supremo. A avaliação é que uma explosão completa de Toffoli teria custo alto para toda a Corte, abrindo um precedente e deixando o STF vulnerável.
Como o blog mostrou na segunda-feira (26), ministros foram avisados por investigadores de que a situação do relator do caso Master é insustentável.
Entre as propostas mais ousadas nos bastidores, está a hipótese de afastar Toffoli e abrir caminho para a nomeação de um novo ministro, com apoio do Centrão no Senado.
Mas essa ideia é vista com ceticismo no STF. Ministros lembram que Lula sequer conseguiu aprovar o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga que já existe. “Se não aprova o Messias, vai conseguir aprovar outro ministro em meio a uma crise dessas?”, questiona um deles. Mesmo se for um aliado do Centrão, acham que seria muito ruim abrir outra articulação com a de Messias pendente.
Esse cálculo político reforça o incômodo. No Supremo, cresce a sensação de que o presidente recorre à Corte como aliada quando precisa — em momentos-chave de governabilidade —, mas, quando o desgaste aparece, deixa o tribunal sozinho na linha de tiro.
Para ministros, o problema já não é apenas jurídico ou institucional. É político. A leitura é a de que o Planalto instrumentaliza o STF conforme a conveniência e se afasta quando o custo aumenta.
É esse sentimento que dá lastro à reação interna: proteger Toffoli não apenas por afinidade pessoal, mas por autopreservação institucional. Na lógica que hoje circula entre pares, permitir que um ministro “exploda” sem rede de contenção abre um precedente perigoso — sobretudo num cenário em que o governo parece disposto a terceirizar o desgaste.
Fonte: Blog da Andréia Sadi/G1
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