O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta terça-feira (27) que o país deseja se juntar à União Europeia até 2027.
Em um post na rede social X, Zelensky contou que discutiu esse desejo com o chanceler da Áustria, Christian Stocker, em uma conversa telefônica e que espera que todos os membros do bloco europeu apoiem a adesão do país:
“A adesão da Ucrânia à União Europeia é uma das principais garantias de segurança, não só para nós, mas para toda a Europa. Afinal, a força coletiva da Europa só é possível graças às contribuições da Ucrânia nas áreas da segurança, tecnologia e economia. Por isso, estamos falando de uma data concreta – 2027 – e contamos com o apoio dos parceiros à nossa posição”.
Segundo o presidente ucraniano, a Rússia realizou um novo ataque massivo com drones nesta terça. A maioria dos 52 foi interceptada, disse ele no X, porém houve impactos na parte central de Odessa e em Kharkiv. Uma instalação de energia também foi atingida, resultando em danos significativos.
Há semanas, a Ucrânia vem sofrendo com ataques à sua infraestrutura energética. Os moradores estão tendo que enfrentar o inverno rigoroso sem aquecimento ou fazendo uso de geradores.
“A Rússia ataca o setor energético diariamente, deixando os ucranianos sem luz e aquecimento, e é crucial que os parceiros respondam a essa situação”, reclamou Zelensky.
As garantias de segurança citadas no post estão entre as principais exigências do presidente ucraniano para chegar a um acordo de paz com a Rússia que dê fim à guerra entre os dois países, que em breve completa quatro anos.
Nesta terça, uma reportagem do jornal britânico “Financial Times” revela que o governo Trump sinalizou à Ucrânia que as garantias de segurança que os Estados Unidos proveriam no pós-guerra dependem de Kiev concordar com um acordo de paz que exigiria ceder à Rússia a soberania sobre a região de Donbas.
Ainda segundo o jornal, Washington também indicou que poderia oferecer mais armas à Ucrânia para fortalecer seu Exército no pós-guerra caso Zelensky aceitasse retirar suas forças dos territórios da região —Donetsk e Luhansk— que ainda controla.
O líder ucraniano tem dito diversas vezes que a integridade territorial da Ucrânia deve ser preservada em qualquer acordo de paz para encerrar a guerra. Em contrapartida, a Rússia exige que só vai concordar em encerrar o conflito se Zelensky aceitar ceder a soberania de todo Donbas.
No domingo (25), Zelensky declarou que um documento com as garantias de segurança que os EUA dariam à Ucrânia no pós-guerra estava “100% pronto” e que Kiev agora aguarda a definição de data e local para a assinatura.
Os termos do acordo para as garantias foram finalizados em uma reunião entre os líderes ucraniano e norte-americano às margens do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na semana passada.
A reportagem do “Financial Times” foi publicada dias após Estados Unidos, Ucrânia e Rússia realizarem as primeiras reuniões trilaterais para tratar o fim da guerra, após um 2025 de negociações ineficazes e do presidente norte-americano, Donald Trump, ter dito que encerraria o conflito em 24 horas quando fosse reeleito à Casa Branca.
As duas reuniões trilaterais, ocorridas durante o final de semana em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, terminaram sem um acordo entre as partes para finalizar o conflito.
Zelensky chamou as conversas de “construtivas”, mesmo termo foi utilizado pelo governo dos Emirados Árabes Unidos. Já a Rússia afirmou que o encontro foi “um começo construtivo” e que as negociações pelo fim da guerra continuariam durante esta semana.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou na segunda-feira que Trump continua engajado pela paz na guerra da Ucrânia e chamou de “históricas” as reuniões ocorridas no final de semana nos Emirados Árabes.
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