A MÚSICA E O VERANEIO – Berilo de Castro

A MÚSICA E O VERANEIO –

Devo ter uma alguma cepa melódica na minha carga genética. Cada vez mais aumenta em mim a admiração e o apego com a música poesia brasileira de boa qualidade.

Costumo sempre e de bom alvitre, revelar o que tem surgido de novidade, o que tem de bom e apreciável neste momento de começo de ano, período tão esperado e sonhado de férias.

Sempre surgem novidades; autores e cantores “revelações”, que aparecem como coelhos em cartolas de mágicos.

Neste começo de ano novo, é momento de repouso cerebral e de aguçar os ouvidos para ouvir as boas e novas criações musicais. É a esperança de novas e bem elaboradas obras-primas musicais.

Ultimamente, essa espera tem sido de frustração e fracasso. Nada surge, não aparece nada que possa nos trazer alegria e prazer musical.

O que vivenciamos, é infelizmente, o que já estamos acostumados a conviver: a repetição de anos passados; surgimento de músicas inconsistentes e de péssima qualidade — as perturbadoras da paz dos tímpanos.

Somos obrigados a ter que “engoli-las”através dos monstruosos e estridentes paredões de som espalhados pela vizinhança praiana.

Neste ano, foram eleitas as duas principais “pérolas” musicais; tocam todos os dias, em todas as horas e em alto e bom som. Queiram, ou não terminam ficando gravadas no subconsciente de todos. É uma peste musical contagiante.

Para a agrura dos leitores, passo de alma sofrida, de mãos não beijadas e com otite em chamas, essas duas preciosidades musicais: as mais tocadas, as preferidas e aclamadas pelos os jovens veranistas.

“Vou devolver você pro cabaré”:

A partir de hoje, tu não é mais minha mulher

Vou devolver você pro cabaré

A partir de hoje tu volta a ser rapariga

Tu acabasse com a porra da minha vida.

Segue o outro grande “sucesso”, esse mais melódico, com mais suingue, o mais cantado de todos, imperdível em todos os momentos e lugares espalhados na nossa querida, encantada e contaminada musicalmente praia de Pirangi, em pleno veraneio. “Tenho medo”, de Zé Reiera( ou desculpe Zé

Reieira, é Zé Vaqueiro).

“Tenho medo de alguém me machucar

Eu tenho medo de me entregar

Eu tô com medo de me apaixonar

E outra pessoa querer me usar”.

E assim, ficamos a escutar essas “belíssimas” obras-primas dos Zé Vaqueiros da vida musical brasileira, logo no momento mais esperado e merecido: o início de mais um novo ano e de mais uma temporada sonora e relaxante de veraneio.

 

 

 

 

Berilo de Castro – Médico e Escritor,  berilodecastro@hotmail.com.br

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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