A IMPORTÂNCIA DAS COISAS BANAIS E A BANALIZAÇÃO DO QUE É IMPORTANTE – Ana Luiza Rabelo

A IMPORTÂNCIA DAS COISAS BANAIS E A BANALIZAÇÃO DO QUE É IMPORTANTE –

No mundo atual, estamos desenvolvendo a tendência de inverter padrões, de alterar ordens naturais, de desacreditar os fundamentos da existência. Valorizamos o tênue, o passageiro, e ignoramos o que faz o alicerce da vida. Sentimentos, estima, consideração e respeito, princípios éticos e morais, boa-fé e autocensura são coisas obsoletas, são banalizadas, quando deveriam ser reverenciadas pela sua gravidade para todos como sociedade e para cada indivíduo por si.

Todos nós temos uma bússola interna que nos orienta e permite que não nos percamos em nossa jornada, mas algumas delas estão girando tontas, fazendo com que andemos em círculos, não evoluamos, não mudemos, não cresçamos. Seguimos uma trilha irregular que não leva a parte alguma, apenas seguimos, sem ver adiante, sem lembrar que todo passo é uma decisão e toda decisão tem consequências.

A palavra perdeu seu valor. Se ontem havia acordos de cavalheiros que cumpriam suas promessas, hoje temos contratos, minuciosamente detalhados, testemunhados e impreterivelmente não cumpridos. Acionar a justiça para dar impulso à palavra é comum. Realizar de boa vontade é estranho e anormal.

O amor perdeu seu encanto, tornou-se banal e até dispensável. O compromisso, a aliança e as promessas são apenas motivos para mais uma festa, numa agenda lotada de eventos e vazia de júbilo. Casamentos relâmpagos e divórcios espalhafatosos fazem parte do cotidiano. A roupa deixou de ser lavada em casa e o apreço tornou-se artigo de luxo.

É importante saber o que é certo, é importante fazer o que é certo. Apontamos o dedo e julgamos, sem dar respostas ou soluções. Num piscar de olhos, replanejamos a vida dos que nos cercam sem ter, na verdade, o objetivo de construir, apenas de criticar. Bradamos palavras vazias aos sete ventos e sussurramos em nossa mente atos de carinho e palavras de conforto. Sufocamos o companheirismo, assassinamos a compaixão, fechamos a porta diante da felicidade e nem participamos do velório do bom senso.

Ver o sol nascer ou se pôr, observar os pássaros e as flores são coisas importantes. Perder os espetáculos da natureza enquanto passeia no shopping é banal. Dar a mão a um amigo, enxugar as lágrimas do irmão, ouvir um desabafo é importante. Não ter momentos livres, não se dividir por amor, passar os dias diante do computador é banal.

Vamos ressuscitar os valores que ajudamos a eliminar. Vamos alimentar a amizade. Cuidar dos sentimentos e abrir a alma para a alegria. Enaltecer o ser e ignorar o ter. Valorizar o conteúdo em detrimento da aparência. Agindo assim, tomaremos mais decisões certas, remagnetizaremos nossa bússola e terminaremos, com louvor, a nossa missão nesse planeta.

 

Ana Luíza Rabelo Spenceradvogada (rabelospencer@ymail.com)

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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