Valério Mesquita
Na gestão pública o confuso e o contraditório presidiram a paisagem. O Brasil perdeu o respeito institucional. Os atores da ópera bufa foram os políticos. Provaram que o Brasil não é mesmo sério e que a única coisa que perdura é o feriado. O Congresso Nacional banalizou-se. A propina virou moeda nacional. 2015 não foi fácil. As Forças Armadas em vez de combater na fronteira, no ar e no mar ao tráfico internacional de drogas, são postas pelo governo federal a matar o mosquito da dengue. O Aedes-aegypti é mais inimigo do que a droga. E não é assunto militar. Nos hospitais públicos federais, estaduais e municipais dos estados faltam médicos, profissionais e remédios mas existe dinheiro no orçamento para queima de fogos e cachês milionários para bandas de forró, rap e funk.
2015 não foi fácil. Explodiram mais caixas eletrônicos em toda parte, assaltaram e assassinaram, apesar da estatística invejável de veículos policiais já se equiparar ao número dos civis. Carro de polícia serve mais na mídia para promover o político do que para proteger a população. Hoje é uma loucura, um delírio, a panfletagem informativa na rede social que o governo do Rio Grande do Norte e alguns parlamentares despejam diariamente. Isso tem um custo. O povo tá pagando. Aliás, aqui no Rio Grande do Norte ainda não deu pra ninguém saber na Assembléia quem é oposição. Um ou dois deputados, apenas, alteiam a voz. Nem urro nem sussurro se escuta.
2015 não foi fácil. Nunca assisti antes tanta queda de reputações, tantas colisões e pedaladas frontais de poderes como ocorreram ano passado. O Judiciário versus Legislativo versus Executivo, todos brigam e enfim, a economia afunda, o desemprego acumula e a inflação galopa. Desde criança, ouço falar em reforma da Previdência Social. Todas executadas no passado basearam-se em decretos, leis ou papeladas sem futuro. Aqui no Estado, por exemplo, caparam o fundo previdenciário, protegido pela Constituição, mas derrubado por lei comum. 2105 não foi fácil! E será fácil em 2016? Precatórios, Caern, Potigás, terrenos e outros bichos – poderão ser vendidos para pagar a folha. Se está certo ou errado, ninguém vai dizer nada. Aí, qualquer governador é “salvador” da pátria. Mas, quem diabo mesmo engravidou a máquina estatal para tantas cesarianas?
2015 também não foi fácil para vários municípios do Rio Grande do Norte. Na minha terra, por exemplo, o Tribunal de Contas constatou uma enorme fraude na licitação da prefeitura local para a limpeza pública da cidade. Na papelada elaborada pela edilidade houve um superfaturamento de cerca e oito milhões de reais. O certame licitatório foi cancelado, tendo a prefeitura “confessado o equívoco” e já programou outro, em substituição, para que a coisa em 2016 fique mais fácil. Em certames licitatórios do passado, sobre o tema, pergunta-se: não teriam sido também fáceis como em 2015?
Desde o tempo de Fabricio Pedrosa, Augusto Severo, Alberto Maranhão, Tavares de Lyra, Auta de Souza, Henrique Castriciano e tantos outros filhos ilustres – devo finalizar que Macaíba é tão grande que não há abismo que a caiba ou acabe. A fé não costuma falhar.
Valério Mesquita – Escritor – Mesquita.valerio@gmial.com
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