VULNERABILIDADE SOCIAL X RESILIÊNCIA: UM DESAFIO NO TRATAMENTO DO CÂNCER –
O câncer é uma doença estigmatizada, com representações simbólicas negativas. Há discussões que o câncer é uma das doenças que é encoberta por diversos estigmas, em que segundo os escritores Barbosa e Francisco (2007) “podem fazer com que o enfermo se oculte, se afaste dos seus papéis sociais, que não queira mais se relacionar com outras pessoas, desista dos seus sonhos ou, simplesmente, não se disponha a levar adiante um tratamento por acreditar na impossibilidade de cura.”. Todos os estigmas culturalmente difundidos reforçam o medo de alguns pacientes enfrentar a doença, de ir em busca de exames preventivos ou até mesmo de um diagnóstico precoce. O que dificulta ainda mais quando os pacientes então inseridos em situações de vulnerabilidade.
De acordo com o escritor Cárceres (2000), registrado por Carvalho (2008), entende-se vulnerabilidade social como: “[…]a relativa desproteção na qual se pode encontrar um grupo de pessoas […] frente a potenciais danos de saúde e ameaças à satisfação de suas necessidades básicas e seus direitos humanos, em razão de menores recursos econômicos, sociais e legais.”. Ou seja, a vulnerabilidade social se refere a grupos ou indivíduos que se encontram fragilizados, sem proteção, sem garantia de seus direitos. Podemos considerar alguns pacientes que realizam o tratamento do câncer como um desses grupos, uma vez que a precariedade das condições de vida desses sujeitos sejam sociais, econômicas ou culturais, amplia a vulnerabilidade social que a doença impõe.
Essa é uma das características percebidas durante os atendimentos aos pacientes/familiares atendidos na Casa Durval Paiva, pois muitos deles são do interior do estado do Rio Grande do Norte e relatam ter dificuldade de acesso aos serviços necessários à satisfação das necessidades básicas, como por exemplo, a dificuldade de acesso ao serviço de transporte; de saúde, como a realização de exames e procedimentos; e condições dignas de moradia e educação. Diante dessas barreiras, é necessário que a equipe multidisciplinar faça uma avaliação das necessidades de cada caso para que os encaminhamentos e atendimentos sejam realizados, de modo que se tenha uma minimização da fragilidade e desproteção, atendendo as demandas até então existentes.
Outro ponto importante a ser destacado no contato com essas famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade é que, mesmo diante do sofrimento e de situações de crise, algumas pessoas continuam refletindo sobre o seu modo de agir, sentir, sobre si e suas histórias. Tendo origem na Física, a propriedade da matéria voltar ao seu estado original após algum tipo de deformação é chamada de resiliência. Os autores Simão e Saldanha (2012) definem resiliência como a “habilidade para lidar e se adaptar aos momentos difíceis da vida, sejam tragédias pessoais, estresse diário intenso ou mesmo desastres que podem surgir do nada. Essa habilidade faz com que a maioria das pessoas sejam maleáveis e reajam quando chegam ao estado popularmente denominado ‘fundo do poço’”.
Percebemos que mesmo com as adversidades da vida, após um diagnóstico de câncer e do início do tratamento, os pacientes e familiares podem utilizar esses fatores ao seu favor, fortalecendo as suas vidas. Muitos conseguem dar novos sentidos ressignificando as dificuldades e sofrimentos encontrados durante todo o processo de tratamento.
Estar em situação de vulnerabilidade social e se adaptar ao tratamento do câncer são desafios possíveis de serem vencidos.
Laíse Santos Cabral de Oliveira – Psicóloga – Casa Durval Paiva – CRP 17-3166
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