VIVA A FRANÇA! –
Concluídas as eleições, a França manteve-se fiel às suas tradições de liberdade.
O presidente Macron reeleito deixou claro, em tom de estadista, que muitos dos votos que o reelegeram não eram a seu favor, mas contra Marine Le Pen.
Ele se referiu ainda aos votos em branco, abstenções e pediu que “ninguém vaiasse” a candidata derrotada, a cujos eleitores se dirigiu, dizendo compreender a sua “desilusão”.
“Já não sou o candidato de um campo, mas o Presidente de todas e todos”, afirmou.
Reconheceu que terá de ouvir as razões daqueles que optaram por votar em Le Pen, pois essa é sua responsabilidade.
A abstenção de cerca de 28%, a maior desde 1969, mostra o desinteresse de uma parte do eleitorado e a recusa de outro partido em escolher entre os dois finalistas.
O primeiro desafio do novo mandato de Macron será reafirmar uma França cujas profundas divisões foram expressas nestas eleições.
A França escolheu, diz o vencedor, um projeto “republicano e ecológico, baseado no trabalho, de libertação das forças acadêmicas, culturais e empresariais.
Como depositário da confiança, mas também das divisões, Macron visa agora “uma sociedade mais justa e a igualdade entre mulheres e homens”.
“Temos tanto a fazer! ”, exclamou o Presidente, recordando o espectro da guerra na Ucrânia e as angústias dos franceses, em anos que “não serão tranquilos”.
Promete que “ninguém será deixado à beira do caminho”, independentemente do partido a que esteja vinculado.
Macron é o primeiro presidente reeleito em 20 anos.
O sucesso de Macron é considerável considerando que ele termina período de governo em um país onde o voto antissistema é maior do que nunca.
Com o novo mandato de cinco anos, e salvo um acidente imprevisível, Macron governará a França por uma década, tempo suficiente para deixar sua marca no país e na União Europeia.
O atual chefe de Estado, que tem uma sólida base eleitoral de cerca de um terço do eleitorado, tem sido para a maioria dos mais confiáveis quando se trata de gerenciar o país diante de um mundo em crise.
Agora as atenções se voltam para as eleições do Parlamento francês, que vão se realizar em junho.
Com certeza, as mais incertas da história. Delas dependem a viabilidade do futuro governo Macron, que provavelmente terá de compor uma maioria, através de alianças com o que resta de ecologistas, conservadores e socialistas.
A vitória de Macron distancia a França do projeto de ruptura de Le Pen, que defendia a exclusão de estrangeiros da assistência social e a saída do país do comando integrado da Otan.
Após a agitação das eleições presidenciais, as eleições legislativas definirão o cenário político dos próximos anos e marcarão o campo de jogo do presidente Macron Uma eleição acabou.
A campanha continua.
O Presidente assegura que o próximo quinquênio não será mero prolongamento daquele que agora termina. “Estou orgulhoso de servir-vos de novo! ”, concluiu, com a voz embargada, bradando em seguida: “Viva a República! Viva a França! ”
Ney Lopes– jornalista, advogado, ex-deputado federal; ex-presidente do Parlamento Latino Americano (PARLATINO); e- Presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara; procurador federal; professor de Direito Constitucional da UFRN, nl@neylopes.com.br
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