VIRMAUNDO 131 –
Zé Luiz Filho era de uma família de políticos e ele foi acompanhando o pai nas visitas aos eleitores pedindo o voto pra se eleger a qualquer cargo decidido pelo partido.
Das conversas de gabinete as ruas, ele acompanhava tudo, como se fosse um aprendizado. E era.
Zé Filho estudava no Marista e tinha ódio de quem era do Salesiano e deixava muito claro pros amigos.
O motorista do pai ia deixar e buscar Zé Filho na escola, todas as manhãs e não carona pra ninguém, nem mesmo pro João Pedro, filho de Mércia, amiga da sua mãe que morava perto e estudava na mesma sala que ele.
Prepotência desde pequeno.
Um dia, num jogo de futebol do colégio quebrou a perna num encontrão com um colega mais forte e foi direto pro hospital.
Se tornaram amigos, depois.
Vendo o pai se eleger Deputado Federal foi morar em Brasília e detestou o lugar.
Tudo muito frio, morando num apartamento funcional, isolado de tudo e de todos.
Não aguentou 1 ano e voltou pra Natal com a mãe.
Já grandinho se meteu na política e foi colocando em prática o que aprendeu com o pai.
Se tornou um Zé Filho mais simpático e a visitar os amigos do pai Deputado.
Se elegeu vereador, casou com Salete, menina bonita, de Caicó, tiveram um filho, Zé Luiz Neto e foram morar m Ponta Negra, no apartamento que recebeu de presente do pai.
Zé Filho tinha uma vida tranquila e sempre ganhou bom dinheiro e, por influência de Robertinho, traficante, seu amigo, entro nas drogas e se viciou em cocaína começou a ter problemas em casa e com os amigos onde muitos se afastaram e na terceira vez que se candidatou, perdeu a eleição, mas não perdeu a pose.
O pai tentou se candidatar a prefeito mas não deixaram e ele se dedicou a praticar a advocacia, preocupado com o filho que estava cada vez mais viciado
Zé Filho conseguiu se formar em Direito e foi trabalhar com o pai no escritório quando perdeu a eleição pra vereador.
Chegou a assumir a Prefeitura por pouco tempo e lavou a alma, pois realizou o que seu pai nunca conseguiu.
Jovem advogado, ex-vereador, pai de Zé Neto e marido de Salete: ele não conseguia largar o vício e foi perdendo prestígio e amigos.
Se alimentava mal, emagreceu e o vício levou-o a períodos de depressão e isolamento.
Foi definhando e morreu de câncer aos 57 anos
Fui visitá-lo no Hospital do Coração e perguntei a ele quem o inspirou na sua vida e ele respondeu:
– Nei Lopes Junior.
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