VIRAMUNDO 103 –

Eduardo Silva nasceu cantando. Natural de Parelhas, interior do Rio Grande do Norte foi pra Olinda aos 5 anos de idade acompanhando os pais.

Tenente Cardoso, da Marinha, havia sido transferido pra Recife escolheu Olinda pra morar, praticamente na beira da praia.

Eduardo conheceu Alceu Valença e aos pouco foi crescendo e curtindo as músicas do Rei de Olinda.

No Carnaval gostava de comparar Olinda com a festa em Recife. Incomparável. Olinda era bem melhor. Dudu, aos 20 anos, já se apresentava nas rádios cantando Alceu Valença.

Ganhava prêmios nos programas de auditório e isso o envaidecia muito.

Na escola dava show e cantava até de graça pra se tornar cada vez mais conhecido. Essa era uma boa estratégia pois era sempre convidado para festinhas e exibições pagas.

Namorador se apaixonou por Letícia, morenaça de cabelos grandes e corpo de manequim. E a cantora de boates e levou Dudu a cantar junto com ela nas noites das sextas-feiras em Recife.

Letícia e Dudu foram morar juntos e tiveram 1 filho que impediu Letícia de trabalhar pra cuidar do menino.

– Não quero meu filho sendo educado por empregadas.

– Sim. Mas quando ele crescer, volto a trabalhar.

Rodrigo, filho deles, foi crescendo saudável aos cuidados da mãe e cada vez mais distante do pai, começando a ficar famoso com a música.

Dudu gravou o primeiro CD pela Rosemblit, gravadora em Recife que projetou Dudu em todo o nordeste.

Aos poucos atingiu todo o país com o balanço inconfundível das suas belas canções.

Ganhava muito dinheiro e gastava quase tudo em jogatina e mulheres e Letícia sofria com isso.

Tinha um marido famoso, sempre longe, e passando dificuldades para criar Rodrigo, já adolescente.

Dudu passava, as vezes, ate 40 dias fora de casa.

Uma das suas músicas ganhou fama em todo o Brasil e com o dinheiro comprou uma bela casa no Rio de Janeiro e levou Letícia e Rodrigo pra morarem lá.

Colocou a casa em nome da mulher e do filho, como se quisesse uma garantia de, pelo menos, ter onde morar sem o risco de perder a cada no jogo.

Jogo, mulher e bebida foram afastando Dudu do convívio familiar e perdendo alguns shows por pura irresponsabilidade.

Dudu era bem quisto no meio artístico e tinha fãs em todo o mundo e o sucesso subiu a cabeça e começou a perder prestígio com a irresponsabilidade provocada pelo vício.

O jogo afastou Dudu da gravadora, de casa e das amizades.

Começou seu declínio profissional e a saúde ia mal.

Dívidas de jogo o deixou numa situação muito difícil, insustentável.

Morreu e a gravadora pagou as despesas do enterro.

Ainda bem que a casa que comprou no Rio estava em nome da mulher e do filho se não tinha perdido no jogo.

Conversei com Rodrigo, seu filho, e perguntei:

– Em quem seu pai se inspirava pra viver?

– Em Reginaldo Rossi.

 

 

 

 

 

 

Jaécio Carlos –  Produtor e apresentador dos programas Café da Tarde e Tribuna Livre, para Youtube.

As opiniões emitidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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