VINHO SANTO, VASO SAGRADO –
Então lhes contou esta parábola: “Ninguém tira remendo de roupa nova e o costura em roupa velha; se o fizer, estragará a roupa nova, além do que o remendo da nova não se ajustará à velha.
E ninguém põe vinho novo em vasilhas de couro velhas; se o fizer, o vinho novo rebentará as vasilhas, se derramará, e as vasilhas se estragarão.
Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em vasilhas de couro novas.
E ninguém, depois de beber o vinho velho, prefere o novo, pois diz: ‘O vinho velho é melhor! ’ ” (Lucas 5:36-39).
Os símbolos usados por Jesus nesta parábola, por um lado, encaixam-se perfeitamente à lei deixada por Moisés e os seus seguidores (remendo velho e roupa velha; vinho velho e vasilha velha); e, por outro lado, aos ensinamentos do Cristo (remendo novo e roupa nova; vinho novo e vasilha nova) – sem que isto signifique qualquer demérito ao Antigo Testamento.
Ao contrário, Jesus não fala que o velho é ruim e que o novo é bom. Ele apenas constata que o novo não se ajusta ao velho e vice-versa. Acrescenta, inclusive, que “ninguém, depois de beber o vinho velho, prefere o novo, pois diz: ‘O vinho velho é melhor!’” – ou seja, os fariseus, instruídos nos antigos ensinamentos de Moisés, não apreciaram as boas novas trazidas por Jesus.
Os discípulos escolhidos por Jesus para apóstolos eram pessoas, na sua grande maioria, simples, iletradas, não versadas na lei mosaica. Por isso, facilmente abraçaram os ensinamentos do Mestre, não contestando nem duvidando da sua veracidade. Eram “remendo novo em roupa nova”; eram “vinho novo em vasilha nova.”
Jesus diz que não viera revogar a lei – mas cumprir. De fato, para se viver os ensinamentos do Cristo, antes deve-se já estar vivendo com naturalidade os ensinamentos básicos recebidos por Moisés, quais sejam, amar a Deus sobre todas as coisas, não matar, não roubar, não desejar o que é alheio, honrar pai e mãe, não prestar falso testemunho…, e assim por diante.
O Apóstolo Paulo nos ensina que “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Desse modo, necessário se faz “nascer de novo”, esvaziar-se do velho homem e tornar-se uma pessoa aberta aos ensinamentos do Cristo, para que sejam despertadas dentro de cada um as virtudes divinas, plantadas por Deus desde a nossa criação. Isso que é vinho novo em vasilha nova – isso que é ensinamento novo em um novo homem.
E assim, mediante a perseverança, vão-se, vinho e vaso, envelhecendo juntos até adquirir o gosto e o sabor apreciados e aprovados pelo nosso Pai Celestial.
João Batista Soares de Lima – Ex-secretário de Tributação e Membro da Arca da Aliança – Movimento Cristão.
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