VIAGEM À POESIA CASCUDIANA –
Nenhum antropólogo superou o natalense Luís da Câmara Cascudo na identificação do homem brasileiro, as nossas características, o que nos diferencia de outros povos. Com rigor nas pesquisas e na expressão, ele documentou costumes, alimentação, linguagem, gestos, crenças, lendas, mitos, sabedoria popular.
Incomodado com as ínfimas restrições feitas por Mário de Andrade e Manoel Bandeira, cedo, Cascudo abandonou a poesia para se dedicar à prosa no seu peculiar estilo, muitas vezes com a adequada e recorrente prosa poética.
O ensaio, de longo título, de Dácio Galvão, “O Poeta Câmara Cascudo: Um livro no Inferno da Biblioteca” analisa a produção poética do mestre potiguar no horizonte da moderna literatura brasileira, entre o regionalismo, o modernismo e o experimentalismo. O icônico escritor potiguar revela exercícios poéticos que privilegiam a coloquialidade, a história, o sertão e o bom humor. Uma intimidade divertida e amável ao falar da dor e dos mistérios do mundo.
A realização de estudo profundo e panorâmico de um tema é de família. O pai, Hélio Galvão, autodidata, fez abordagem definitiva no livro “Pequena História da Fortaleza dos Reis Magos”. Dácio, em tese doutoral, elabora iluminante a poética do mestre do folclore brasileiro. Assim, conseguimos visualizar o sentimento cascudiano no começo da sua produção literária. Foi a época da insatisfação estética que fez eclodir a Semana de Arte Moderna e em que Cascudo identificou-se com os seus líderes, principalmente Mário de Andrade com quem, por mais de vinte anos, manteve correspondência e trocas culturais. Fizeram aproximações entre intelectuais e artistas nordestinos e paulistas, publicando em periódicos especializados.
No tempo de sua apropriação poética, o mestre Cascudo editou Jorge Fernandes e foi pioneiro na tradução brasileira de poemas de Walt Whitman.
Entusiasmado com a cultura popular, dedicou-se inteiramente à sua meta indenitária. Como aconteceu a Santo Agostinho, o teólogo superou o poeta; e a Mário Vargas Llosa, o romancista suplantou o cronista. Cascudo permaneceu com viés poético, ainda que abandonando a composição em versos, mas não o sentimento da beleza escrita.
O autor do livro comentado recolheu os quinze poemas publicados de Câmara Cascudo e mostrou a sua relação com a cultura do interior nordestino, das vozes afro-brasileiras e da arte da época com representação da dança e do cinema (atriz do cinema mudo Colleen Moore). Uma curiosidade do livro: a revelação do poema dedicado a Maria Luíza, mãe do admirável cidadão e empresário Álvaro Alberto Barreto. Outra: o poema inédito perdido e revelado em crônica por Carlos Drummond de Andrade.
Dácio, mestre em Literatura Comparada e doutor em Estudos da Linguagem, não se contentou com o ensaio que lhe conferiu o último título de doutor. Sentiu que os poemas cascudianos, além de construção, tinham ritmo, cadência e sabor musical. Estimulou amigos, grandes nomes, para fazer as letras dos poemas virarem músicas. O CD registra as vozes dominantes, entre as quais Dominguinhos, Fagner, Xangai e Gereba.
Com este livro, que tanto resgata, podemos melhor sentir a dimensão poética de Câmara Cascudo.
Diogenes da Cunha Lima – Advogado, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN
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