VENEZUELA E O RETORNO DA GEOPOLÍTICA NA AMÉRICA LATINA –
A crise venezuelana deixou de ser um problema interno para se tornar um fator de instabilidade regional. O que se vê hoje não é apenas o colapso de um regime, mas a exposição crua de uma engrenagem política que insiste em sobreviver à base de retórica ideológica, mesmo quando os fatos já não a sustentam.
Diante desse cenário, setores da esquerda latino-americana tendem a reagir de forma previsível: discursos inflamados, denúncias genéricas contra o “imperialismo” e tentativas de mobilização simbólica. Contudo, quando se observa a realidade concreta do poder, a narrativa se fragiliza. A esquerda, no plano prático, não dispõe de um braço armado institucional capaz de enfrentar forças estatais organizadas. O que resta, em muitos contextos, é uma relação ambígua com estruturas paralelas, especialmente o narcotráfico.
Essa proximidade não se constrói por afinidade ideológica, mas por conveniência. O narcotráfico ocupa territórios onde o Estado falhou, dispõe de recursos, armas e capilaridade social. Por isso, desperta simpatias silenciosas e alianças informais, ainda que negadas publicamente. Trata-se, porém, de um apoio instável, sem compromisso político real, que se dissolve quando o cenário internacional endurece.
É exatamente nesse ponto que a dinâmica muda. Em momentos de pressão efetiva econômica, diplomática ou estratégica, a retórica cede espaço à acomodação. Movimentos que antes se apresentavam como intransigentes passam a buscar negociações, recuos calculados ou novas formas de sobrevivência política. A história é clara: ideologias resistem enquanto há sustentação material; sem ela, adaptam-se ou desaparecem.
Nesse contexto, a possível retomada de uma política externa mais assertiva dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, recoloca a geopolítica no centro das decisões da América Latina. Trump nunca escondeu sua visão pragmática: o continente é área estratégica direta dos interesses norte-americanos. Essa postura não é novidade histórica. Foi exatamente assim durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, quando os Estados Unidos trataram a região como zona de segurança, influência econômica e contenção de ameaças.
Caso essa lógica volte a prevalecer, não se deve esperar, necessariamente, intervenções militares clássicas. O controle moderno é mais sofisticado: sanções econômicas severas, isolamento diplomático, pressão sobre elites políticas e reorganização seletiva de alianças. É o uso da força sem tanques, mas com efeitos igualmente profundos.
A Venezuela, nesse cenário, transforma-se em símbolo e advertência. Mostra o custo de desafiar a ordem internacional sem lastro econômico, institucional ou popular sustentável. Ao mesmo tempo, serve de alerta para outros países da região que flertam com discursos de ruptura, mas dependem profundamente da estabilidade internacional para sobreviver.
O que está em jogo, portanto, vai além da polarização entre direita e esquerda. Trata-se de um embate entre poder organizado e fragilidade estrutural. Discursos mobilizam, mas não sustentam Estados. O mundo atual cobra resultados, estabilidade e previsibilidade. A América Latina volta, assim, ao centro do tabuleiro geopolítico. E a história ensina: quando as grandes potências reposicionam suas peças, quem ignora essa realidade costuma pagar um preço alto.
Raimundo Mendes Alves – Advogado, procurador aposentado e vereador em São Gonçalo do Amarante RN
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