Recebo todos os dias um pequeno parágrafo contendo um pensamento do educador e mestre espiritual indiano Sathya Sai Baba, já desencarnado, que costumo postar no facebook por considerar os escritos do mestre de alta relevância.
Numa dessas postagens, sobre paciência, tive o prazer de ler um elogio ao pensamento de Baba, feito pelo porteiro do prédio onde resido.
Como todos os dias desço para pegar os jornais, aproveitei o momento em que revi o amigo e agradeci seu elogio e as constantes curtidas que dá nas coisas que posto da Casa do Bem e minhas reflexões pessoais sobre a vida.
Como a portaria estava sem muito movimento, aproveitamos para entabular conversação e ele relatou que precisa de muita paciência para lidar com tantos problemas, pessoas estressadas, entra e sai de entregadores e um mundo de providências que sua função exige.
Ao sair fiquei refletindo e passei a lembrar de algumas pessoas que transitam em meu mundo na UFRN, Casa do Bem e outros locais, que são pessoas com baixa escolaridade, histórico de sofrimentos diversos, baixíssima remuneração e que mesmo assim, possuem uma postura de vida altamente correta, apresentando naturalmente paciência, generosidade, compreensão de problemas diversos e equilíbrio diante de adversidades.
Essas pessoas teoricamente, teriam todas as condições para desenvolverem revolta interior, sair xingando a tudo e a todos, exibir insatisfações diversas, mas, são suaves, dão conselhos, não se estressam, começam do zero sem nenhum problema quando perdem tudo em catástrofes e, estão sempre felizes e prontas para ajudar.
Elas não fazem cursos de neurolinguística, não frequentam consultórios psiquiátricos, não seguem gurus indianos e, muitas vezes não tiveram acesso as filosofias dos iluminados e nem dos iogues de plantão.
A bondade, tranquilidade, honestidade e conduta que exibem são naturais, não seguem manuais, não aprenderam em escolas e nem em universidades, muito pelo contrário, aprenderam na vida, enfrentando problemas complexos, duras realidades e, forjaram uma personalidade humanística e sábia apesar de todos os pesares.
Quem acredita na reencarnação pode facilmente dizer que o que somos hoje é uma continuação do passado, daí a despeito de todas as condições, um ser burilado no bem, continuará esse comportamento em qualquer situação.
É uma boa explicação e, sendo assim, sugiro aos que ainda se estressam muito, roubam, gritam com os demais, que comecem a construir agora essa personalidade mais tranquila, mais sábia, mais fraterna para que na eternidade da existência, possam ser mais felizes individualmente e, contribuir coletivamente, para um todo melhor.
Flávio Rezende – Escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)
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