VALEU, MANIN –

Valeu, Manin! Ouvir essa frase me transporta ao tempo de adolescente. Valeu, isoladamente, correspondia a um agradecimento semelhante a obrigado; a uma despedida, equivalente a tchau; a uma manifestação de aprovação ou satisfação. Já, Manin, significava parceiro, cara, irmão.

Tratava-se de uma gíria muito usada entre os jovens do país inteiro, mais por homens que por mulheres, muito informal, porém nada de rude ou desrespeitosa. Eu me reportei ao passado, pelo fato de raramente ouvir alguém assim se externar na vivência do nosso dia a dia, embora, aqui ou acolá, eu me veja falando: Valeu!

As gírias são fenômenos linguísticos criados e associados a determinados grupos sociais, muito comuns entre adolescentes e bandos marginalizados. A gíria em si é qualquer expressão originária do povo. Diferente do calão, considerado uma linguagem grosseira; e, do jargão, uma gíria profissional.

A princípio, as gírias se configuram em códigos compreendidas apenas pelos integrantes do grupo de onde surgiram. Com o tempo, elas acabam sendo assimiladas pela sociedade em geral.

Até aí, tudo bem! Porém, em determinadas situações a gíria toma proporções agigantadas e assustadoras, gerando consequências danosas e inconsequentes para o autor ou interlocutor da dita. Eu me refiro a Mané, gíria que domina o noticiário nacional, cujo significado é indivíduo pouco inteligente, bobo, idiota.

Insatisfeito com a definição fui procurar maiores esclarecimentos na música popular brasileira e me satisfiz com a letra da canção de Bezerra da Silva, Malandro é Malandro e Mané é Mané. Eis a elucidação que obtive:

“…Já o Mané ele tem sua meta/Não pode ver nada, que ele cagueta/Mané é um homem que moral não tem/Vai pro samba, paquera/E não ganha ninguém/ Está sempre duro, é um cara azarado/E também puxa o saco pra sobreviver/Mané é um homem desconsiderado/E da vida ele tem muito que aprender.”

Perdeu, Mané! Foi a frase que ganhou as manchetes das redes televisivas e sociais do país, quando uma cabelereira a rabiscou com batom vermelho no monumento, A Justiça, criado por Alfredo Ceschiatti e posicionado na Praça dos Três Poderes, diante da sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília.

A desdita da pichadora foi supor que, em razão da venda esculpida sobre os olhos da estátua, ela nada enxergasse. Não imaginou que existissem câmeras que captaram o delito ao vivo e em cores e, deu no que deu: uma possível condenação a 14 anos de prisão.       

Não me compete nem interessa aqui julgar o mérito da questão, tampouco o resultado da apreciação jurídica, se bem que a acusada já tenha assumido a culpa ao pedir perdão. Todavia, uma coisa é certa. O momento não está propício para falar, escrever e muito menos pichar: Perdeu, Mané!

No caso de assim agirem será de bom alvitre pôr a imaginação para funcionar criando frases mais inteligentes, maneiras, que não firam susceptibilidades nem agridam ninguém. Talvez, algo sutil do tipo: Degringolou, bobo!

 

 

 

 

José Narcelio Marques Sousa –  Engenheiro civil

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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